quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Phantasy Star III






 Informação

Phantasy Star III
* Gênero: JRPG
* Geração: 16-bit (original)
* Console: Mega Drive/Genesis
* Ano: 1990
* Desenvolvedor: Sega





Contexto


Logo após o sucesso de Phantasy Star II no Japão, que causou uma pequena febre no país com a personagem carismática Nei, a Sega já iniciou o desenvolvimento da continuação, tentando capitalizar em cima do sucesso do antecessor. Tanto é que para Phantasy Star III, poucos membros do time de Phantasy Star II foram utilizados, pois a companhia japonesa tinha pressa, então aproveitou um time que seria reunido para desenvolver outro jogo e deu-lhes a tarefa de desenvolver Phantasy Star III. Todavia, ao contrário do que algumas pessoas dizem, a mudança de ambiente de Phantasy Star III não porque a Sega pegou um jogo qualquer que estava quase pronto e mudou o nome para Phantasy Star III, pois a própria equipe responsável por Phantasy Star II admite que o roteiro de PSIII começou a ser escrito durante o desenvolvimento de PSII e que o produto final segue a idéia do roteiro.


Por ela, eu também começaria uma guerra.
No entanto, a pressa da Sega era tão grande que eles acabaram obrigando o time de desenvolvimento a lançar o jogo ainda não completamente terminado. Provavelmente querendo competir com a Square, que lançou Final Fantasy III uma semana depois de Phantasy Star III, a Sega errou a estratégia ao querer competir com um jogo de geração diferente e lançando um jogo visivelmente inacabado, quando o mais lógico seria aproveitar dos recursos técnicos superiores do Mega Drive em relação ao concorrente NES e esperar para lançar um jogo bem caprichado e matador. A proposta de Phantasy Star III era extremamente original para a época, mas faltou inteligência à Sega, que adotou o slogan "The King of RPG" e achou que isso bastaria. E, infelizmente, bastaria para a Sega polir o Phantasy Star III para provar que ela era realmente a rainha dos JRPGs, mas da forma que PSIII foi lançado, acabou desagradando parte dos fãs, que perceberam que coisas faltavam no jogo e isso praticamente selou o destino da série. 

O que é legal em Phantasy Star III

Phantasy Star III é um jogo ousado para a sua época. Ele foi criado com uma idéia bastante diferente em mente: proporcionar caminhos diferentes de jogo baseado em escolhas do jogador. Em uma época em que os JRPGs para console eram quase completamente lineares, a idéia de possuir caminhos diferentes era simplesmente revolucionária.

Queria eu ter essa sorte...
No jogo, após uma explicação da guerra lendária entre dois povos comandados por Orakio e Laya, você assume o papel de Rhys, um príncipe orakiano prestes a se casar com Maia, uma mulher misteriosa, com amnésia, que foi encontrada por Rhys em uma praia meses atrás. Tudo parece correr bem até que, no meio da cerimônia, Maia é sequestrada por um dragão layano. Desesperado e revoltado, Rhys convoca os exércitos para caçar o dragão, mas acaba sendo preso pelo seu pai, o rei, que julga sua atitude como irresponsável.

Rhys é eventualmente libertado e começa sua busca por sua amada. Durante a sua busca, a verdade sobre o mundo em que eles habitam, sobre os orakianos e layanos vai sendo revelada progressivamente, trazendo contrastes ao mundo aparentemente medieval do início do jogo. E, ao chegar ao fim da sua missão, Rhys tem uma escolha difícil a fazer, pois essa escolha vai definir o rumo da história. Cada opção leva o jogo a ser continuado com outra história, outros personagens e outras localidades, fazendo com que as escolhas do jogador sejam realmente importantes.


Cutscene incrementando a narrativa

Os gráficos do jogo são bastante melhorados em relação ao seu antecessor, com sprites e imagens bem mais bonitas. A narrativa também foi melhorada, com mais cenas de diálogo, um embrião do modelo de cutscenes que seria usado extensivamente em Phantasy Star IV e algumas animações que são um embrião dos FMV que dominaram as gerações mais novas de RPGs. A mecânica de batalhas ficou um pouco mais complexo, com fileiras de inimigos que não podem ser atacados enquanto os inimigos da frente não forem eliminados. O sistema de magias mudou um pouco, com um recurso interessante que permite o jogador redistribuir o poder das magias, deixando-as mais fortes ou mais fracas. A música do jogo também é excelente, com um recurso especial que vai adicionando instrumentos à musica de acordo com o número de personagens que o seu time possui.

Eita! O que é isso?
Infelizmente, devido à estratégia falha da Sega de apressar o jogo, fica evidente que alguns aspectos não puderam ser bem trabalhados. As animações dos ataques dos inimigos são, em geral, bem mais simples e pouco atrativas que as animações dos jogos anteriores da série. Além disso, há vários lugares inexplorados ou vazios nos mapas, sinal claro de que personagens, missões e partes extra da narrativa tiveram que ser sacrificadas em prol de terminar a história principal a tempo de lançar o jogo na data definida pela Sega. Isso, apesar de não arruinar a qualidade do jogo, nos faz lamentar o quão melhor poderia ter sido o jogo se a Sega deixasse a equipe de programadores refinar o jogo.

Porque Phantasy Star III é um dos melhores RPGs de todos os tempos

Não se engane pela aparência, esse não é um RPG medieval
Phantasy Star III é um ótimo RPG, com uma qualidade técnica muito boa para a época, apresentando uma clara evolução em relação ao antecessor, lançado menos de um ano antes. Além disso, existem algumas interações com outros PCs e NPCs mais elaboradas, trazendo mais narrativa para o jogo.
Mas, assim como Phantasy Star II, Phantasy Star III possui uma história bastante original e densa, trazendo novamente conceitos como política, filosofia e ética ao jogador. Ao invés de uma simples batalha do bem contra o mal, o jogador vai descobrindo que esses valores são questionáveis e grandes surpresas aguardam quem se atreve a acompanhar a história até o fim. O drama é inserido na história sem sentimentalismo piegas típico dos JRPGs e todos os fatos inexplicáveis do começo do jogo começam pouco a pouco a serem explicados, de forma bem convincente e inteligente. Além disso, Phantasy Star III leva o tema de "descobrimento do mundo" comum em RPGs, que começam com um herói em uma pequena vila e acabam crescendo a ponto de envolver todo o mundo (ou até mesmo mundos) a um patamar inatingível, conduzido com maestria e sem apelar para segredos místicos de raças perdidas e povos lendários. Quer um começo mais original para um RPG que o dia do casamento do personagem principal?


Conheço você de algum lugar...

Pra melhorar tudo isso, Phantasy Star III apresenta não só 4 finais diferentes, mas sim 4 histórias diferentes, algo que ainda não é comum hoje em dia, com todos os recursos e tecnologia suficientes para fazer o que Phantasy Star III se propôs a fazer com facilidade. PSIII foi um passo grande dado em direção a tornar os RPGs não apenas um jogo que conta uma história, mas um jogo onde o jogador faz a história. E, infelizmente, a estratégia ruim da Sega não permitiu que o jogo fosse lapidado o suficiente, fazendo com que sua recepção por parte do público não tenha sido tão boa, principalmente para os que esperavam uma continuação direta dos eventos de PSII e julgam o jogo tão superficialmente que sequer chegaram a jogar mais de uma hora. Essa recepção mediana ao jogo fez com que as idéias revolucionárias fossem abandonadas (Phantasy Star IV é extremamente convencional e linear) e, por fim, o sucesso de Final Fantasy IV e Lunar: The Silver Star levaram o gênero inteiro dos JRPGs se tornasse sinônimo de Storytelling RPGs.

Porém, aquele que dedica seu tempo a desbravar o mundo de Phantasy Star III vai ser recompensado com uma das melhores histórias de JRPG, conduzida de forma magistral, e ainda vai ter a possibilidade de explorar caminhos alternativos e histórias paralelas, aumentando consideravelmente o valor do jogo. Enquanto a concorrência oferece pequenas sidequests como valor de jogar novamente, Phantasy Star III oferece três histórias excelentes, sendo um representante único em sua categoria.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Final Fantasy VII

 Informação


Final Fantasy VII
* Gênero: Storytelling
* Geração: 32-bit
* Console: Playstation / PC
* Ano: 1997
* Desenvolvedor: Square









Contexto

Final Fantasy VII começou bem antes do que a maioria imagina, pois o seu desenvolvimento já havia começado logo após o lançamento de Final Fantasy VI, em 1994, e seria feito para o Super Nintendo. No entanto, a Square redirecionou parte do time encarregado para ajudar com Chrono Trigger, que viria a se tornar outra obra-prima da empresa, e o projeto foi adiado. Quando a idéia foi retomada, a quinta geração de consoles já estava eclipsando a quarta geração, então o projeto foi movido para os consoles de quinta geração, que permitiriam gráficos em 3D e vídeos de melhor qualidade.

Imagens espetaculares para os fãs da série acostumados com
animações de sprites.
E foi aí que começou uma das rupturas mais marcantes entre empresa desenvolvedora de jogos e empresa de consoles. A Square possuia um contrato de exclusividade com a Nintendo, mas durante os testes com engines 3D, ela percebeu que um RPG em 3D demandaria muito espaço, e o console de quinta geração da Nintendo, o Nintendo 64 decidiu utilizar cartuchos de memória ao invés de CDs como mídia de armazenamento, ao contrário da concorrência, e isso tornou impraticável o desenvolvimento de um jogo nos moldes que a Square almejava. Então, ela rompeu com a Nintendo e anunciou o próximo título de sua série mais celebrada para o Playstation da Sony.

E não pode se dizer que a escolha não tenha sido acertada. O Playstation ganhou de longe a disputa da quinta geração, vendendo mais de 100 milhões de consoles. E Final Fantasy VII foi um grande catalista para isso, ajudando a vender o console para uma audiência que ainda relutava em fazer a mudança para a quinta geração em meados de 1997. Vendendo a incrível marca de 10 milhões de cópias, Final Fantasy VII foi um sucesso absoluto de público e crítica, aliando gráficos excelentes para a época, uma história deveras intrigante e envolvente e um mecanismo de jogo muito interessante, fazendo-o merecer todas as menções que ele recebe nas listas de melhores jogos de todos os tempos, onde não-raramente frequenta a primeira posição.

O que é legal em Final Fantasy VII

A primeira coisa que provavelmente impressionou o jogador de Final Fantasy VII na época foi a abertura, totalmente em vídeo de animação em 3D. E não só por causa de ser um vídeo em 3D, com os quais os fãs da série não estavam acostumados, mas por causa do tom épico que o vídeo dá ao jogo, apresentando um pouco do mundo em que o jogo se passa de forma magistral, fazendo com que o jogador tenha uma imersão imediata no mundo mágico de Final Fantasy VII.


Cenário futurista rompe com o
tradicional ambiente medieval

A história começa na cidade futurística e decrépita de Midgar. Saindo de um trem, o jogador assume o papel de Cloud, um jovem ex-soldado que largou a vida militar para se unir a um grupo terrorista, liderado por Barrett, que planeja destruir um reator de energia Mako que, apesar de prover energia para o conforto das pessoas, está contribuindo para a destruição do planeta. No entanto, os motivos de Cloud são obscuros, e o seu comportamento bem estranho. E, a medida que a história se desenrola, novos aspectos sobre o mundo, as relações sociais, a história, a política e a mitologia do planeta vai sendo revelada, sempre de forma bastante instigante, com a entrada de novos personagens, todos eles bem desenvolvidos e interessantes. Há momentos dramáticos, cômicos e divertidos, equilibrando bem a narrativa durante todo o jogo.

Agora o bicho pega.
Além da história principal, o jogo possui diversos mini-games dentro dele e missões opcionais, que servem para fornecer novos items ou desenvolver partes adicionais da história. Esses elementos adicionais são bem dosados, de forma que não comprometem a história para o jogador que não tem vontade ou tempo para fazer as missões adicionais, mas enriquecem bastante a experiência de quem se dedicar a explorar os segredos do jogo, além de apresentar desafios a mais para o jogador que gosta de batalhas épicas.




Por que Final Fantasy VII é um divisor de águas na história dos RPGs

Final Fantasy VII foi um projeto ambicioso da Square que rendeu frutos inigualáveis para a empresa e mudou de vez a cara do gênero. Antes de Final Fantasy VII, JRPGs costumavam ser um sucesso apenas no Japão, sendo um gênero de nicho no ocidente. FFVII finalmente quebrou a barreira entre o ocidente e o oriente, sendo um enorme sucesso no ocidente. Ele é constantemente citado pelos jogadores como a porta de entrada para este gênero de jogos.


A beleza das imagens contribui
muito para a experiência de FFVII 

Além disso, os investimentos da Square com animações por computação gráfica viraram padrão para os RPGs que vieram a seguir. A própria Square, que até FFVI investia pouco em visuais, animações e imagens, tornou-se uma líder em animação por computação gráfica, aventurando-se inclusive na indústria do cinema (com resultados negativos), e hoje angaria várias críticas por investir mais em visuais que em jogabilidade ou enredo de seus RPGs. No próprio FFVII há, as vezes, um excesso de animações, principalmente em certas magias/summons utilizados constantemente, fazendo com que batalhas durem muito mais do que o desejado pelo jogador não pelo seu desafio, mas por causa da repetição desnecessária de vídeos belos, mas cansativos.

Mas, apesar da qualidade técnica impecável, Final Fantasy VII não se destaca apenas pelo visual: o jogo possui um mecanismo interessante de customização de personagens através de materias, items que podem ser alocados nos equipamentos dos personagens, conferindo-os habilidades especiais, magias e bônus, dando mais liberdade ao jogador em escolher os personagens que deseja utilizar durante o jogo.

Início de uma jornada épica.
E, principalmente, Final Fantasy VII apresenta uma história envolvente, complexa, com temas muito atuais que remetem o jogador à reflexão. Apesar de toda a ambientação fantástica, o jogo lida com temas atuais como terrorismo, exploração de pessoas e do planeta, grandes corporações e o eterno conflito entre o bem e o mal de forma original. Em FFVII, ao contrário dos jogos anteriores da série, o conflito não é do grande vilão contra o grande herói. Ao invés de preto e branco, todos os personagens estão em diferentes matizes de cinza, mais claras ou mais escuras, mas não sem seus defeitos, suas qualidades e até os vilões possuem alguma lógica em seu raciocínio.

Certas cenas são estrategicamente colocadas
para um ar mais "cool" ao jogo.
Além disso, o ritmo de evolução da história é perfeito no primeiro CD dos três que compõe o jogo original, apresentando novos acontecimentos e desdobramentos de forma frenética, culminando com uma das cenas mais impactantes da história dos RPGs no fim deste CD. Depois, o jogo perde um pouco o fôlego e há o drama se torna um pouco excessivo, mas a história continua intrigante até o final. Todos os PCs e vários dos NPCs possuem uma história bem desenvolvida, fazendo com que o jogador consiga simpatizar facilmente com todos eles. Não foi a toa que esse RPG foi tão simbólico e marcante para toda uma geração.

O legado de Final Fantasy VII pode ser visto em todas as suas continuações, spin-offs, e merchandisg relacionado, inclusive em outras mídias como livros e até um longa metragem, Final Fantasy VII - Advent Children, que se passa anos após a história do jogo. Todos esses itens tentam capitalizar no sucesso do jogo original. Infelizmente, muitas das continuações, spin-offs e itens relacionados são puro caça-níquel, de baixa qualidade. O legado também está presente em outros jogos da série, nos quais os personagens e elementos de FFVII aparecem de alguma forma, seja pessoalmente, seja como uma influência clara nos elementos dos outros jogos.

E esse legado é inegável principalmente por ser o remake mais pedido e aguardado da história, com petições que alcançam centenas de milhares de signatários. Isso é uma prova de que o jogo possui um lugar especial guardado nos corações de todos esses fãs, que adorariam ter a oportunidade de reviver toda a mágica do mundo de Final Fantasy VII mais uma vez.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ancient Domains of Mystery

Informação

Ancient Domains of Mystery
* Gênero: Roguelike
* Geração: DOS
* Console: PC e Mac
* Ano: 1994 - 2002 (primeiro release final estável)
* Desenvolvedor: Thomas Biskup










Contexto

Aqui, o jogo literalmente pega fogo.
Em 1994, o desenvolvedor de jogos Thomas Biskup começou a fazer sua própria versão de um jogo do estilo Roguelike, cujos representantes mais famosos são Rogue (que deu nome ao gênero) e NetHack. Sozinho, ele adotou o estilo característico desse tipo de jogo, com gráficos em ASCII, farta exploração de cavernas, aleatoreidade de mapas, combates, geração de itens e lojas, e, o principal desafio desses jogos que é o chamado permadeath, ou seja, apesar de permitir que o jogo seja salvo, toda vez que você carrega o jogo, o save é apagado, não permitindo que o jogador refaça decisões ou retome o jogo a partir de um ponto caso o personagem morra.

O desenvolvimento levou quase oito anos até que a primeira versão estável do jogo fosse completada, mas a espera valeu a pena. E, em um caso raro de sucesso de um desenvolvedor sozinho trabalhando em um jogo independente, ADOM não só se tornou um grande sucesso entre os jogadores, mas também provou-se ser uma obra-prima do gênero, com uma complexidade ímpar e uma qualidade que supera tudo o que já foi visto dentro do gênero.

O que é legal em Ancient Domains of Mystery


ADOM reune características de um bom Roguelike com um bom RPG. Só para criar o seu personagem, existem milhares de opções. O jogo conta com 10 raças distintas de personagem e mais de 20 classes, cada uma com suas características e habilidades intrínsecas, além de outras customizáveis. Além disso, os personagens também possuem um perfil próprio, determinado através de respostas a algumas questões e um sistema de signos aleatório, que influenciam em mais alguns aspectos o seu personagem. Para completar, a partir da versão 1.1, foi introduzido um sistema de talentos, com centenas de opções para a escolha. Tudo isso significa que, por mais que você tente, você nunca vai jogar com o mesmo personagem duas vezes.

O mapa geral é um dos aspectos que diferenciam ADOM
da maioria dos roguelikes
Além disso, o jogo surpreende desde o início. Ao invés de uma longa caverna, o jogo começa em um mapa, com montanhas, florestas, rios, cidades, cavernas, torres e outras localidades a serem exploradas pelo jogador. As cidades contém inúmeros NPCs, alguns dos quais te fornecem missões especiais, enquanto outros estão apenas para adicionar à narrativa do jogo. Existe um grande número de missões opcionais no jogo, permitindo ao jogador desenvolver o seu personagem da forma que preferir, inclusive matando todo mundo nas cidades.

Sim, isso é possível, e é um dos pontos mais interessantes do jogo. Você pode desenvolver seu alinhamento com o bem ou com o mal da forma que quiser. Há desde missões puras, como salvar o cãozinho perdido de uma garotinha quanto missões criminosas, como matar o xerife da outra cidade. O alinhamento do personagem influencia no seu desenvolvimento no jogo, pois alguns alinhamentos permitem certas missões, enquanto outros não. Também é possível roubar lojas ou amansar inimigos, tornando-os aliados.

As cidades proporcionam uma interação bastante rica
com os NPCs e oportunidade de embarcar em diversas
missões diferentes.
Além disso, há um sistema complexo de items e artefatos, uma gama vastíssima de inimigos com imunidades, vulnerabilidades, status e comportamentos especiais. Os mesmos status se aplicam ao herói, que também pode sentir fome ou saciedade. O jogo também apresenta um sistema de relação com divindades, onde é possível obter favores dos deuses ou ser morto por uma divindade encolerizada. Na parte de customizações, é possível criar dezenas de ítens através de alquimia, habilidades de ferreiro, kits de escrita, de criar flechas, criação de rações de comida e até necromancia.

Mais próximo do fim do jogo, várias surpresas vão aparecendo, como locais e inimigos com características únicas, que te obrigam a agir de forma diferenciada. O jogo é de uma complexidade incrível e de uma dificuldade tremenda, fazendo com que vários jogadores experientes nunca tenham conseguido vencê-lo. Até mesmo os guias de ajuda pouco servem para ajudar um jogador não-experiente a vencer os desafios. E, pra tornar a mistura ainda mais rica, existem vários finais possíveis.

Porque Ancient Domains of Mystery é o melhor Roguelike


Oh, não, morri mais uma vez! O estranho é que nem
estou surpreso com isso.
Simplesmente porque você não vai conseguir parar de jogá-lo. O jogo une o melhor do mundo dos Roguelikes com o melhor do mundo dos RPGs tradicionais, combinando todos os desafios do primeiro com a narrativa e a história do segundo. Mal é possível acreditar que uma pessoa só conseguiu incluir tantos recursos, regras e mecanismos em um jogo. Existe uma área que só é desbloqueada após 100 jogos, mas provavelmente você nem descobrirá essa área antes de jogar (e morrer) 100 vezes.

E, com toda a dificuldade que o jogo apresenta e todos os mistérios da história, ele é viciante, intrigante e muito atrativo. A cada jogada, você vai descobrindo coisas que não sabia, criando estratégias para lidar com situações complicadas e avançando progressivamente. Muitas vezes você vai ficar enraivecido de ter tomado uma atitude pouco cautelosa e jogado um personagem bem desenvolvido no lixo, mas com certeza você vai querer jogar novamente, até conseguir finalmente desvendar todos os segredos e mistérios que o mundo de ADOM guarda para os corajosos desafiantes deste mundo tão rico e complexo.