Phantasy Star III* Gênero: JRPG
* Geração: 16-bit (original)
* Console: Mega Drive/Genesis
* Ano: 1990
* Console: Mega Drive/Genesis
* Ano: 1990
* Desenvolvedor: Sega
Contexto
Logo após o sucesso de Phantasy Star II no Japão, que causou uma pequena febre no país com a personagem carismática Nei, a Sega já iniciou o desenvolvimento da continuação, tentando capitalizar em cima do sucesso do antecessor. Tanto é que para Phantasy Star III, poucos membros do time de Phantasy Star II foram utilizados, pois a companhia japonesa tinha pressa, então aproveitou um time que seria reunido para desenvolver outro jogo e deu-lhes a tarefa de desenvolver Phantasy Star III. Todavia, ao contrário do que algumas pessoas dizem, a mudança de ambiente de Phantasy Star III não porque a Sega pegou um jogo qualquer que estava quase pronto e mudou o nome para Phantasy Star III, pois a própria equipe responsável por Phantasy Star II admite que o roteiro de PSIII começou a ser escrito durante o desenvolvimento de PSII e que o produto final segue a idéia do roteiro.
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| Por ela, eu também começaria uma guerra. |
O que é legal em Phantasy Star III
Phantasy Star III é um jogo ousado para a sua época. Ele foi criado com uma idéia bastante diferente em mente: proporcionar caminhos diferentes de jogo baseado em escolhas do jogador. Em uma época em que os JRPGs para console eram quase completamente lineares, a idéia de possuir caminhos diferentes era simplesmente revolucionária.
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| Queria eu ter essa sorte... |
No jogo, após uma explicação da guerra lendária entre dois povos comandados por Orakio e Laya, você assume o papel de Rhys, um príncipe orakiano prestes a se casar com Maia, uma mulher misteriosa, com amnésia, que foi encontrada por Rhys em uma praia meses atrás. Tudo parece correr bem até que, no meio da cerimônia, Maia é sequestrada por um dragão layano. Desesperado e revoltado, Rhys convoca os exércitos para caçar o dragão, mas acaba sendo preso pelo seu pai, o rei, que julga sua atitude como irresponsável.
Rhys é eventualmente libertado e começa sua busca por sua amada. Durante a sua busca, a verdade sobre o mundo em que eles habitam, sobre os orakianos e layanos vai sendo revelada progressivamente, trazendo contrastes ao mundo aparentemente medieval do início do jogo. E, ao chegar ao fim da sua missão, Rhys tem uma escolha difícil a fazer, pois essa escolha vai definir o rumo da história. Cada opção leva o jogo a ser continuado com outra história, outros personagens e outras localidades, fazendo com que as escolhas do jogador sejam realmente importantes.
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| Cutscene incrementando a narrativa |
Os gráficos do jogo são bastante melhorados em relação ao seu antecessor, com sprites e imagens bem mais bonitas. A narrativa também foi melhorada, com mais cenas de diálogo, um embrião do modelo de cutscenes que seria usado extensivamente em Phantasy Star IV e algumas animações que são um embrião dos FMV que dominaram as gerações mais novas de RPGs. A mecânica de batalhas ficou um pouco mais complexo, com fileiras de inimigos que não podem ser atacados enquanto os inimigos da frente não forem eliminados. O sistema de magias mudou um pouco, com um recurso interessante que permite o jogador redistribuir o poder das magias, deixando-as mais fortes ou mais fracas. A música do jogo também é excelente, com um recurso especial que vai adicionando instrumentos à musica de acordo com o número de personagens que o seu time possui.
Infelizmente, devido à estratégia falha da Sega de apressar o jogo, fica evidente que alguns aspectos não puderam ser bem trabalhados. As animações dos ataques dos inimigos são, em geral, bem mais simples e pouco atrativas que as animações dos jogos anteriores da série. Além disso, há vários lugares inexplorados ou vazios nos mapas, sinal claro de que personagens, missões e partes extra da narrativa tiveram que ser sacrificadas em prol de terminar a história principal a tempo de lançar o jogo na data definida pela Sega. Isso, apesar de não arruinar a qualidade do jogo, nos faz lamentar o quão melhor poderia ter sido o jogo se a Sega deixasse a equipe de programadores refinar o jogo.
Porque Phantasy Star III é um dos melhores RPGs de todos os tempos
Phantasy Star III é um ótimo RPG, com uma qualidade técnica muito boa para a época, apresentando uma clara evolução em relação ao antecessor, lançado menos de um ano antes. Além disso, existem algumas interações com outros PCs e NPCs mais elaboradas, trazendo mais narrativa para o jogo.
Mas, assim como Phantasy Star II, Phantasy Star III possui uma história bastante original e densa, trazendo novamente conceitos como política, filosofia e ética ao jogador. Ao invés de uma simples batalha do bem contra o mal, o jogador vai descobrindo que esses valores são questionáveis e grandes surpresas aguardam quem se atreve a acompanhar a história até o fim. O drama é inserido na história sem sentimentalismo piegas típico dos JRPGs e todos os fatos inexplicáveis do começo do jogo começam pouco a pouco a serem explicados, de forma bem convincente e inteligente. Além disso, Phantasy Star III leva o tema de "descobrimento do mundo" comum em RPGs, que começam com um herói em uma pequena vila e acabam crescendo a ponto de envolver todo o mundo (ou até mesmo mundos) a um patamar inatingível, conduzido com maestria e sem apelar para segredos místicos de raças perdidas e povos lendários. Quer um começo mais original para um RPG que o dia do casamento do personagem principal?
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| Conheço você de algum lugar... |
Pra melhorar tudo isso, Phantasy Star III apresenta não só 4 finais diferentes, mas sim 4 histórias diferentes, algo que ainda não é comum hoje em dia, com todos os recursos e tecnologia suficientes para fazer o que Phantasy Star III se propôs a fazer com facilidade. PSIII foi um passo grande dado em direção a tornar os RPGs não apenas um jogo que conta uma história, mas um jogo onde o jogador faz a história. E, infelizmente, a estratégia ruim da Sega não permitiu que o jogo fosse lapidado o suficiente, fazendo com que sua recepção por parte do público não tenha sido tão boa, principalmente para os que esperavam uma continuação direta dos eventos de PSII e julgam o jogo tão superficialmente que sequer chegaram a jogar mais de uma hora. Essa recepção mediana ao jogo fez com que as idéias revolucionárias fossem abandonadas (Phantasy Star IV é extremamente convencional e linear) e, por fim, o sucesso de Final Fantasy IV e Lunar: The Silver Star levaram o gênero inteiro dos JRPGs se tornasse sinônimo de Storytelling RPGs.
Porém, aquele que dedica seu tempo a desbravar o mundo de Phantasy Star III vai ser recompensado com uma das melhores histórias de JRPG, conduzida de forma magistral, e ainda vai ter a possibilidade de explorar caminhos alternativos e histórias paralelas, aumentando consideravelmente o valor do jogo. Enquanto a concorrência oferece pequenas sidequests como valor de jogar novamente, Phantasy Star III oferece três histórias excelentes, sendo um representante único em sua categoria.



















