terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ancient Domains of Mystery

Informação

Ancient Domains of Mystery
* Gênero: Roguelike
* Geração: DOS
* Console: PC e Mac
* Ano: 1994 - 2002 (primeiro release final estável)
* Desenvolvedor: Thomas Biskup










Contexto

Aqui, o jogo literalmente pega fogo.
Em 1994, o desenvolvedor de jogos Thomas Biskup começou a fazer sua própria versão de um jogo do estilo Roguelike, cujos representantes mais famosos são Rogue (que deu nome ao gênero) e NetHack. Sozinho, ele adotou o estilo característico desse tipo de jogo, com gráficos em ASCII, farta exploração de cavernas, aleatoreidade de mapas, combates, geração de itens e lojas, e, o principal desafio desses jogos que é o chamado permadeath, ou seja, apesar de permitir que o jogo seja salvo, toda vez que você carrega o jogo, o save é apagado, não permitindo que o jogador refaça decisões ou retome o jogo a partir de um ponto caso o personagem morra.

O desenvolvimento levou quase oito anos até que a primeira versão estável do jogo fosse completada, mas a espera valeu a pena. E, em um caso raro de sucesso de um desenvolvedor sozinho trabalhando em um jogo independente, ADOM não só se tornou um grande sucesso entre os jogadores, mas também provou-se ser uma obra-prima do gênero, com uma complexidade ímpar e uma qualidade que supera tudo o que já foi visto dentro do gênero.

O que é legal em Ancient Domains of Mystery


ADOM reune características de um bom Roguelike com um bom RPG. Só para criar o seu personagem, existem milhares de opções. O jogo conta com 10 raças distintas de personagem e mais de 20 classes, cada uma com suas características e habilidades intrínsecas, além de outras customizáveis. Além disso, os personagens também possuem um perfil próprio, determinado através de respostas a algumas questões e um sistema de signos aleatório, que influenciam em mais alguns aspectos o seu personagem. Para completar, a partir da versão 1.1, foi introduzido um sistema de talentos, com centenas de opções para a escolha. Tudo isso significa que, por mais que você tente, você nunca vai jogar com o mesmo personagem duas vezes.

O mapa geral é um dos aspectos que diferenciam ADOM
da maioria dos roguelikes
Além disso, o jogo surpreende desde o início. Ao invés de uma longa caverna, o jogo começa em um mapa, com montanhas, florestas, rios, cidades, cavernas, torres e outras localidades a serem exploradas pelo jogador. As cidades contém inúmeros NPCs, alguns dos quais te fornecem missões especiais, enquanto outros estão apenas para adicionar à narrativa do jogo. Existe um grande número de missões opcionais no jogo, permitindo ao jogador desenvolver o seu personagem da forma que preferir, inclusive matando todo mundo nas cidades.

Sim, isso é possível, e é um dos pontos mais interessantes do jogo. Você pode desenvolver seu alinhamento com o bem ou com o mal da forma que quiser. Há desde missões puras, como salvar o cãozinho perdido de uma garotinha quanto missões criminosas, como matar o xerife da outra cidade. O alinhamento do personagem influencia no seu desenvolvimento no jogo, pois alguns alinhamentos permitem certas missões, enquanto outros não. Também é possível roubar lojas ou amansar inimigos, tornando-os aliados.

As cidades proporcionam uma interação bastante rica
com os NPCs e oportunidade de embarcar em diversas
missões diferentes.
Além disso, há um sistema complexo de items e artefatos, uma gama vastíssima de inimigos com imunidades, vulnerabilidades, status e comportamentos especiais. Os mesmos status se aplicam ao herói, que também pode sentir fome ou saciedade. O jogo também apresenta um sistema de relação com divindades, onde é possível obter favores dos deuses ou ser morto por uma divindade encolerizada. Na parte de customizações, é possível criar dezenas de ítens através de alquimia, habilidades de ferreiro, kits de escrita, de criar flechas, criação de rações de comida e até necromancia.

Mais próximo do fim do jogo, várias surpresas vão aparecendo, como locais e inimigos com características únicas, que te obrigam a agir de forma diferenciada. O jogo é de uma complexidade incrível e de uma dificuldade tremenda, fazendo com que vários jogadores experientes nunca tenham conseguido vencê-lo. Até mesmo os guias de ajuda pouco servem para ajudar um jogador não-experiente a vencer os desafios. E, pra tornar a mistura ainda mais rica, existem vários finais possíveis.

Porque Ancient Domains of Mystery é o melhor Roguelike


Oh, não, morri mais uma vez! O estranho é que nem
estou surpreso com isso.
Simplesmente porque você não vai conseguir parar de jogá-lo. O jogo une o melhor do mundo dos Roguelikes com o melhor do mundo dos RPGs tradicionais, combinando todos os desafios do primeiro com a narrativa e a história do segundo. Mal é possível acreditar que uma pessoa só conseguiu incluir tantos recursos, regras e mecanismos em um jogo. Existe uma área que só é desbloqueada após 100 jogos, mas provavelmente você nem descobrirá essa área antes de jogar (e morrer) 100 vezes.

E, com toda a dificuldade que o jogo apresenta e todos os mistérios da história, ele é viciante, intrigante e muito atrativo. A cada jogada, você vai descobrindo coisas que não sabia, criando estratégias para lidar com situações complicadas e avançando progressivamente. Muitas vezes você vai ficar enraivecido de ter tomado uma atitude pouco cautelosa e jogado um personagem bem desenvolvido no lixo, mas com certeza você vai querer jogar novamente, até conseguir finalmente desvendar todos os segredos e mistérios que o mundo de ADOM guarda para os corajosos desafiantes deste mundo tão rico e complexo.




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