sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Phantasy Star IV

Informação

Phantasy Star IV
* Gênero: Storytelling RPG
* Geração: 16-bit
* Console: Mega Drive/Genesis
* Ano: 1993
* Desenvolvedor: Sega










Contexto

O plano original era trazer de volta os
personagens dos jogos anteriores.
Algum tempo após o sucesso moderado de Phantasy Star III, porém abaixo das expectativas, a Sega decidiu dar continuidade à sua principal série de RPGs, trazendo de volta parte do time principal que havia trabalhado em Phantasy Star I e Phantasy Star II, para aproveitar o lento crescimento do gênero no ocidente e tentar finalmente fazer frente ao sucesso de Dragon Quest e Final Fantasy, séries de RPG feitas para o console concorrente do Mega Drive, que não só eram um grande sucesso no mercado japonês como também, no caso de Final Fantasy, teve uma boa recepção no ocidente, ainda que isso não tenha se refletido em vendas.

O Phantasy  Star IV foi um RPG que nasceu cercado de diversas dúvidas, partindo desde o roteiro em si até mesmo o sistema para o qual o jogo seria lançado. Os primeiros planos indicavam um RPG feito para Sega CD, tentando trilhar o caminho aberto por Lunar: The Silver Star, só que utilizando vídeos live-action ao invés de animações. Já as primeiras idéias de roteiro pensavam em dar continuidade ao enredo do Phantasy Star III. No entanto, atrasos e mudanças de projeto acabaram colocando Phantasy Star IV no Mega Drive, pois o Sega CD não teve a recepção esperada. Além disso, mudanças de roteiro eliminaram dos planos trazer de volta personagens como Alis e Nei, e, finalmente, colocando o jogo como uma continuação dos eventos de Phantasy Star II, 1000 anos depois.

O que é legal em Phantasy Star IV

A parte gráfica impressiona.
A equipe que fez Phantasy Star IV se aproveitou da evolução tecnológica para trazer uma narrativa bem maior do que os predecessores, inspirando-se em Final Fantasy IV e Lunar: The Silver Star, que trouxeram a história do jogo para a linha de frente. Combinado com os dialogos bem mais elaborados, a equipe investiu pesadamente em artes, adicionando imagens nas cutscenes, que vão se sobrepondo a medida que o diálogo vai avançando. Certamente esse capricho na parte visual é uma das razões para que Phantasy Star IV seja considerado um dos melhores RPGs da época.

Em Phantasy Star IV, você assume o papel de Chaz, um garoto de 16 anos que acompanha sua mentora Alys em uma missão para investigar monstros que apareceram no porão da universidade. Eles são hunters, um tipo de polícia mercenária de Motavia, e se unem ao cientista Hahn, que quer estudar a causa do aparecimento dos monstros. Mas logo após cumprir a missão que lhes é confiada, o grupo acaba descobrindo que a origem do problema vai muito mais longe, e todas as pistas indicam que o responsável pelas calamidades atuais é um feiticeiro misterioso chamado Zio. A partir daí, Chaz e seus companheiros embarcam em uma aventura para resgatar o passado perdido do sistema de Algol, além de desvendar mistérios nunca antes revelados.

Te conheço de algum lugar...
Já em relação ao gameplay, Phantasy Star IV fica devendo um pouco de inovação, pois o jogo é extremamente linear e é centrado em um sistema de batalhas por turnos bem simplificado, deixando poucas alternativas para o jogador. Isso, aliado a um nível de dificuldade bem baixo, torna a experiência de jogo pouco interessante, e muitas vezes o jogador se vê apertando botões apenas para chegar logo na próxima cutscene. É agradável para quem está interessado na história, mas deixa um pouco a desejar em matéria de desafio, principalmente levando em conta que os RPGs contemporâneos conseguiam equilibrar melhor a relação entre história e gameplay.


O fim melancólico da série

Tributo a Phantasy Star II
Phantasy Star IV é o fim melancólico da principal série de RPGs da Sega. Em algum momento, os desenvolvedores decidiram que Phantasy Star IV seria um jogo para fechar de vez a história da série, colocando uma pedra final na história de um universo bastante interessante e original para o gênero. E, se por um lado Phantasy Star IV fez um belo trabalho ao explorar um pouco mais desse universo tão interessante, principalmente dando mais destaque aos Motavianos e Dezorianos, Phantasy Star IV também pecou em alguns aspectos, se descaracterizando um pouco. Para dar um fim à série, infelizmente os desenvolvedores recorreram a um argumento bem batido, com um vilão que quer destruir toda a humanidade sem um bom motivo para isso, um confronto entre o bem absoluto contra o mal absoluto e heróis escolhidos pela entidade que representa a luz para derrotar a escuridão e trazer paz eterna para o universo (Final Fantasy?). Tudo isso em um ambiente pré-industrial, com apenas resquícios do ambiente futurista de Phantasy Star I e Phantasy Star II. Esses argumentos bem batidos não tornam a história ruim, mas não fazem juz ao primor das histórias dos demais jogos da série.

Cenas marcantes inspiradas nos jogos anteriores da série.
Além disso, preocupada com o fato de muitas pessoas não terem gostado do fato que Phantasy Star III não se passava no mesmo ambiente que Phantasy Star I e Phantasy Star II, e de que sua ligação com os demais jogos da série demorava a aparecer, a equipe de Phantasy Star IV decidiu que o jogo deveria transpirar Phantasy Star a todo o momento. Para isso, usaram cópias de personagens dos outros jogos da série, inclusive reaproveitando esboços de imagens de personagens dos outros jogos que não foram usados nos jogos em si para compor os personagens novos. E há uma preocupação tão grande em inserir elementos que liguem o Phantasy Star IV que esses elementos acabam prejudicando um pouco a parte original do enredo. Se Phantasy Star III pecou pela falta (e, quando revela a verdade, o faz de forma magistral), Phantasy Star IV pecou pelo excesso. É claro que todo fã de Phantasy Star curte as referências boas aos jogos anteriores da série, mas algumas delas são sem sentido e totalmente dispensáveis. 

Enfim, a Sega fez um jogo que conseguiu agradar os olhos dos jogadores e encerrar a sua principal série de RPGs com um esforço convincente e bom para o crepúsculo da geração 16-bit. No entanto, foi um crime colocar uma pedra final no maravilhoso universo de Phantasy Star, que hoje sobrevive apenas como título de uma série de jogos online, que pouco têm a ver com uma das mais importantes séries de RPG da aurora dos JRPGs. E Phantasy Star IV deve ser jogado assim, aproveitando toda a beleza, relembrando os momentos importantes de toda a série, relevando a falta de originalidade e de desafio e, no fim, lamentar o fim de uma série tão fantástica de RPGs.

Pois é... Acabou...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ys - Ancient Ys Vanished

 Informação

Ys - Ancient Ys Vanished
* Gênero: Action RPG
* Geração: 8-bit (original)
* Console: PC/Master System/NES/Turbografix-16
* Ano: 1987
* Desenvolvedor: Nihon Falcom
+ Remakes para PC-Engine, Sega Saturn, DS, PC e PSP em conjunto com Ys II (Ys I & II, Ys I & II Eternal, Ys I & II Complete, Ys I & II Chronicles) com gráficos melhorados, imagens, vídeos e pequenas adições de diálogo e personagens.



Contexto

Essa face se tornará familiar ao longo da série
A Nihon Falcom é a empresa pioneira de RPGs no Japão. Sua série Dragon Slayer já era um grande sucesso nos computadores bem antes que a Enix e a Square finalmente lançassem os primeiros jogos de suas séries principais para o NES. Em 1987, a empresa decidiu lançar mais uma série de RPGs, centrada nas aventuras do personagem principal Adol, chamada Ys. Esta série viria a se tornar a série mais conhecida de RPGs da Nihon Falcom no ocidente, que já contabiliza 7 títulos oficiais, alguns spin-offs e vários remakes dos jogos antigos.

O grande diferencial da série em relação aos seus contemporâneos é que, ao contrário do estilo de combate por turnos, a série Ys sempre adotou um estilo diferente de combates diferente, caindo no estilo action-RPG. E com o primeiro jogo da série, não foi diferente. Isso pode causar um pouco de estranheza para quem está acostumado com o estilo tradicional de combate, mas a marca do primeiro jogo da série é a simplicidade e o sistema de combates, em sua simplicidade, acaba sendo interessante e algo original para a época.

O que é legal em Ys - Ancient Ys Vanished

Ela é mais que só um rostinho bonito.

Ys é um RPG feito com a simplicidade em mente: O jogo não é tão longo quanto os RPGs de sua época, possuindo poucas cidades e missões mais diretas. Mas nem por isso, deixa de ter qualidade, pois a história é bem interessante e consegue convencer o jogador a comprar a missão do protagonista, sem exageros, sem abusar dos clichés, e sem muito da gordura que os outros RPGs costumam ter apenas para tornar o jogo o mais longo possível. E uma característica marcante do jogo é que ele já foi feito pensando em uma continuação, então alguns mistérios do jogo só serão resolvidos no próximo jogo da série.

Você assume o papel de Adol, um guerreiro ruivo que desembarca na cidade de Minea. Lá, ele é convocado pela vidente Sara, que aguarda um guerreiro que possa combater a ameaça do mal que está prestes a se instalar no continente. Além disso, items e armas feitas de prata estão desaparecendo misteriosamente, seja sendo compradas ou sendo roubadas por uma figura misteriosa. Após se armar apropriadamente, Adol embarca sozinho em uma jornada cheia de mistérios, na qual fica sabendo que é necessário recuperar os seis livros de Ys, que contém a chave para derrotar essa ameaça maléfica.


É necessário agilidade pra sentar o
cacete nesse mané.
O mundo do jogo não é muito grande e complexo, no entanto o jogo provê um bom desafio, através de labirintos complexos, cheios de monstros, muitas vezes bastante poderosos. O jogo só não se torna mais difícil pois o herói recupera automaticamente os pontos de vida perdidos com o tempo. Aliás, as batalhas são um capítulo a parte em Ys: ao invés do sistema de batalhas em turno e encontros aleatórios, o mapa possui diversos inimigos espalhados e o ataque é feito indo de encontro ao inimigo que se deve atacar, e o dano é calculado automaticamente. Existem, no entanto, formas de atacar o inimigo que causam mais ou menos dano em você, dependendo do ângulo de ataque. De certa forma, esse estilo acaba sendo interessante, pois torna o jogo muito mais ágil e evita aquelas sessões maçantes de "grinding" que a maioria dos RPGs da época exigiam.

Porque vale a pena conferir Ys - Ancient Ys Vanished


Epa! Esse Adol é um fanfarrão!

Ys serve muito bem como uma porta de entrada ao mundo do RPG, por não ser um jogo longo e nem apresentar o sistema de combate em turnos, que é uma grande crítica de muitas pessoas que não gostam de RPG, por reduzir a maior parte da experiência de jogo a simplesmente apertar um botão repetidamente e aguardar o que acontece. Além disso, sua história não é extensa, mas foge bastante dos clichés, com alguns acontecimentos surpreendentes e vários mistérios que são deixados no ar e só serão resolvidos na continuação do jogo, YS II - Ancient Ys Vanished The Final Chapter, onde finalmente Adol embarcará em uma jornada para Ys. Além disso, os remakes do jogo oferecem imagens belas, vídeos bonitos e um reforço no dialogo que enriquece o conteúdo do jogo sem comprometê-lo. E as músicas, que sempre foram um ponto forte dos jogos da Falcom, nos remakes são belíssimas.
  

Curto não significa fácil. É tanta bola de fogo
que parece até jogo de nave shoot-em-up.
Além de também ser a porta de entrada para uma série bem legal de RPGs e injustamente ignorada no ocidente, a simplicidade do jogo é parte de sua beleza e em muitos casos o jogador acaba concluindo que as poucas horas gastas para desvendar os mistérios do mundo de Ys são melhor aproveitadas do que as dezenas de horas perdidas em outros rpgs em batalhas maçantes e longas, labirintos gigantescos e sem propósito, missões paralelas sem razão outra do que fingir que enriquecem a experiência de jogo. E a prova que um RPG nem sempre precisa ser gigantesco e pretensioso para ser interessante, desafiador e gostoso de jogar.