domingo, 25 de setembro de 2011

Phantasy Star II

Informação

Phantasy Star II
* Gênero: JRPG
* Geração: 16-bit (original)
* Console: Mega Drive/Genesis
* Ano: 1989
* Desenvolvedor: Sega
+ Remake para Playstation 2, com gráficos e áudio melhorados, e mudanças na mecânica e no enredo.







Contexto


Phantasy Star II já começa referenciando seu antecessor
Após o relativo sucesso de público e de crítica de sua primeira incursão no mundo dos RPGs, a Sega planejou imediatamente uma continuação. Planejado originalmente para o Master System, os desenvolvedores tinham em mente uma história ousada e bastante longa para o sucessor de Phantasy Star. Com a iminente chegada do novo console da empresa, contando com um processador rápido de 16 bits para os padrões da época cujo objetivo era acabar com o domínio da Nintendo no Japão e nos Estados Unidos ao oferecer jogos muito melhores tecnologicamente que os do console da concorrente, o projeto foi naturalmente migrado para a nova plataforma, na qual poderia se aproveitar dos recursos de hardware mais avançados. Então, no início de 1989, a Sega lançou o segundo volume de sua franquia principal de RPGs, com o objetivo de fazer o melhor RPG disponível para consoles.

Investindo todas as suas fichas em uma história bastante densa e séria, a Sega atingiu um patamar impressionante de qualidade com o seu novo jogo. Além de ter sido um grande sucesso, Phantasy Star II é frequentemente mencionado nas listas de RPGs mais influentes e até mesmo nas listas de melhores jogos de todos os tempos. E essas citações são totalmente merecidas, pois seus desenvolvedores ousaram experimentar bastante com o gênero que estava apenas em seu início no Japão, chegando a resultados que impressionam mais de 20 anos depois do lançamento oficial do jogo.

O que é legal em Phantasy Star II


Cast de Phantasy Star II, repaginado no remake
Phantasy Star II segue bem a risca a mecânica de jogo de seus contemporâneos, apresentando um estilo de combates baseado em turnos, com algumas inovações em relação ao seu predecessor. Phantasy Star II tenta inovar em alguns aspectos, trazendo oito personagens, alguns dos quais podem ser escolhidos para compor o grupo de, no máximo, quatro. Cada um desses personagens possui características diferentes, fazendo com que a experiência de cada jogador seja diferente, podendo ele optar por utilizar todos os personagens ou só os que julga mais fortes ou mais carismáticos.

Em Phantasy Star II, você está na pele de Rolf (e, acredite, esse é um dos raros jogos em que você certamente não gostaria de estar na pele dele), um agente do governo de Motavia escalado para investigar os recentes problemas ambientais do planeta, que possui sistemas computacionais avançadíssimos cuidando do clima e de toda a produção. O mundo de Phantasy Star II é uma sociedade utópica muito avançada, onde raramente as pessoas trabalham para viver. Esse é um mundo bastante original para um gênero normalmente dominado por uma temática fantástico-medieval. E um aspecto bem bacana de Phantasy Star II é que o jogo é uma continuação do primeiro jogo da série, mas se passando quase mil anos após o jogo original. Sendo assim, ele apresenta um ambiente bem distinto do primeiro, deixando a história correr livremente, e ao mesmo tempo, tenta manter a continuidade.

Você vai ver tantas vezes isoo que vai ter que se segurar
 para não desligar o console e dar uma bica no cartucho.
Um dos aspectos mais marcantes do jogo é o seu grau de dificuldade altíssimo. Os labirintos apresentam um grau de complexidade tão alto que não é raro o jogador ter dificuldades logo no primeiro desafio que o jogo apresenta. O jogo é considerado tão difícil que ele já vinha originalmente com um guia para auxiliar aqueles que tivessem muita dificuldade. Muita gente reclama do nível de dificuldade tão alto, mas isso é apenas uma prova de que o Phantasy Star II era um RPG visto como um jogo, que, apesar do foco na narrativa, ainda tinha que ser desafiador. Nos anos seguintes, o foco em contar uma história ficou tão grande que o gênero hoje em dia é bastante criticado pelos que não são fãs por ser apenas uma história disfarçada de jogo. Além disso, em Phantasy Star II, se o jogador planejar bem sua estratégia, vencê-lo não se torna tão difícil, apenas trabalhoso. 

Porque Phantasy Star II é um dos melhores RPGs de todos os tempos


Indiscutivelmente, a face da
série Phantasy Star.
Phantasy Star II é um ótimo RPG, com uma qualidade técnica muito boa para a época, aproveitando-se do hardware moderno do Mega Drive. Foram-se os labirintos em primeira pessoa do primeiro jogo da série, mas vieram labirintos em terceira pessoa com maior resolução gráfica e múltiplas camadas. Os retratos dos personagens são bonitos e mais detalhados e o jogo já começa a timidamente experimentar com o conceito de sucessão de cenas estáticas e pequenas animações para contar a história; conceito que levou aos RPGs e mesmo jogos de outros gêneros atuais a conter horas de filmes contando histórias. O desenvolvimento dos personagens também já estava planejado, mas devido a limitações técnicas, acabou sendo deixado para uma série de aventuras de texto oferecida pela rede Meganet.

Um dos momentos mais dramáticos
da história dos RPGs
Mas o melhor de tudo mesmo de Phantasy Star II é que ele é um RPG com uma história extremamente séria. Ele trouxe política, meio ambiente, filosofia, ética e outras questões importantes para o mundo do videogame, considerado um lugar de entretenimento e fantasia. Os temas abordados por Phantasy Star II são bastante profundos e complexos, levando o jogador a pensar mais sobre a história que lhe é apresentada. E tudo isso sem recorrer ao sentimentalismo piegas. Pelo contrário, os desenvolvimentos fogem ao padrão esperado de uma história de heróis e vilões e os momentos chave da história são apresentados de forma brutal e até insensível. Passariam-se ainda alguns anos até que os enredos mais sérios se tornassem regra entre os JRPGs, mas a marca de Phantasy Star foi tão profunda que hoje os RPGs com temas pouco densos são severamente criticados tanto pela crítica quanto pelo público, e alguns RPGs tentam tornar a história tão densa e complexa que pecam pelo exagero, resultando em enredos de difícil compreensão e de baixo valor, ao abusar do sentimentalismo piegas. 

Enfim, se Dragon Quest pode ser consderado o pai de todos os JRPGs, Phantasy Star II pode ser considerado o pai de todos os JRPGs modernos, lançando as bases para as histórias envolventes que tomaram o gênero RPG, e principalmente o subgênero Storytelling RPG. É impossível não se envolver com a história e não se surpreender com os desfechos dos acontecimentos principais desse jogo que marcou época e que certamente é um dos maiores merecedores de sua inclusão em listas dos melhores jogos de todos os tempos. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Final Fantasy V

Informação

Final Fantasy V
* Gênero: Storytelling RPG
* Geração: 16-bit (original)
* Console: SNES
* Ano: 1992
* Desenvolvedor: Square Soft
+ Remake para Playstation e Game Boy Advance, com gráficos e áudio melhorados.











Contexto

Seguindo o sucesso de Final Fantasy IV, a Square não perdeu tempo e já iniciou o desenvolvimento de um novo título da série, tentando pegar carona no sucesso do predecessor. No entanto, a Square não quis fazer uma cópia do predecessor, investindo mais em "role-play" que o predecessor, trazendo de volta o sistema de profissões customizável, ao contrário das profissões fixas de Final Fantasy IV. Além disso, o tom da história é menos dramático do que em Final Fantasy IV, investindo menos no personagem principal e mais na história dos demais personagens e do mundo em que o jogo se passa.

Agora que eu tô tomando um coro que eu descobri a
importância de não escolher as profissões aleatoriamente...
O fato do jogo não ter sido lançado fora do Japão na época (a primeira versão só saiu em 1999 no ocidente) fez com que o jogo seja esquecido, perdido entre o grande sucesso de público e crítica de Final Fantasy IV e Final Fantasy VI (II e III respectivamente no ocidente). Seu lançamento posterior acabou contribuindo negativamente para a sua reputação, pois, em comparação com as histórias dramáticas a que o público havia se habituado em FFIV, FFVI, FFVII e FFVIII, a história do FFV pareceu muito convencional. Além disso, seus avanços gráficos não impressionaram, pois já eram obsoletos, fazendo com que o jogo ficasse com uma reputação pior do que merecia.



O que é legal em Final Fantasy V

Os bons e velhos cristais estão de volta,
como não poderia deixar de ser.
Final Fantasy V tenta fazer a combinação perfeita entre Storytelling e role-play, e chega bem perto disso. Ao contrário da noção que se fez do jogo, ele possui uma história bem desenvolvida e interessante. Você assume o papel de Bartz, um jovem que passeando com seu chocobo, por acaso se vê perto do local da queda de um meteoro. Curioso, ele decide investigar e acaba por encontrar Lenna, que está a procura de seu pai que também tinha ido investigar o meteoro por causa do vento que anormalmente parou de soprar, e Galuf, um senhor que não lembra direito o que foi fazer na região, mas lembra que também foi investigar o meteoro. A história naturalmente vai se desenrolando e logo se descobre que a origem dos problemas está ligada a quatro cristais, escondidos em templos, para selar o mal de "Void", liderado pelo vilão Exdeath, que havia sido derrotado décadas atrás.

A história vai naturalmente se expandindo, em dois mundos diferentes e diversas localidades, nas quais eventos vão acontecimentos progressivamente. A medida que a história vai se desenrolando, o passado dos heróis, de outros NPCs e do mundo em que eles habitam vai sendo contada, não sem grandes pitadas de drama e muitos revéses por parte dos personagens. O protagonista em si não tem sua história muito desenvolvida, mas as histórias da princesa Lenna, da pirata Faris, do guerreiro Galuf e da garota Krile são bem desenvolvidas e intrigantes. Apesar de ser recheada de estereótipos, é uma história convincente.

O que faz com que Final Fantasy V seja imperdível

Esse menu vai ser aberto 1000 vezes, e mesmo
assim você não vai se cansar de fazer isso.
O grande atrativo do jogo é o sistema de profissões, que são mais de 20 no total. Ao invés de personagens com características definidas, o jogador pode configurar profissões para cada um dos personagens. Esse sistema funciona da seguinte forma: Cada profissão possui uma habilidade intrínseca, além de características que definem suas estatísticas (HP e MP) e qual equipamento pode usar. Além disso, ao vencer batalhas, os personagens ganham pontos de habilidade (AP). Cada profissão possui alguns níveis de experiência e cada vez que o personagem passa de nível, aprende uma habilidade da profissão. O personagem pode escolher, além da habilidade intrínseca de sua profissão, uma outra dentre as que já aprendeu. Com isso, é possível configurar os personagens ao gosto do jogador. Isso torna o jogo deveras interessante, pois, ao contrário da maioria dos RPGs com habilidades fixas, certamente, cada vez que o jogador jogar FFV, desenvolverá seus personagens de maneira diferente, explorando as diferentes combinações de profissões e habilidades.

Normalmente, os Storytelling games sofrem da falta de role-play, mas o Final Fantasy V acertou a mão, combinando bem os dois elementos. Sem contar que o jogo é repleto de side-quests, mistérios, e até chefes secretos, inaugurando tendências que deixariam os jogos da série mais ricos. E pra dar um toque especial, o jogo possui finais diferentes, dependendo do resultado da última batalha, o que contribui mais para tornar cada vez que o mesmo jogador FFV uma experiência nova.

Todo esse conjunto possibilidades de customização e de elementos de role-play fazem o FFV ser um dos poucos Storytelling RPGs com combate baseado em turnos onde o jogador provavelmente vai se divertir bastante durante as batalhas e não vai apenas torcer para chegar rápido no fim das áreas que tem inimigos para ver ou ler o próximo trecho de história. E é um dos raros jogos do gênero onde vale a pena embarcar mais de uma vez na mesma jornada não só pra rever uma história inteligente e cativante novamente, mas para se divertir a beça entre os atos da peça principal.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Lunar: The Silver Star

Informação

Lunar: The Silver Star
* Gênero: Storytelling RPG
* Geração: 16-bit (original) / 32-bit e superiores (remakes)
* Console: Sega CD
* Ano: 1992
* Desenvolvedor: Game Arts
+ Remake para Sega Saturn (Lunar: The Silver Star Story), Playstation (Lunar: The Silver Star Story Complete), Gameboy Advance (Lunar Legend) e Playstation Portable (Lunar: The Silver Star Harmony), todos com gráficos e áudio melhorados, mais pequenas mudanças na história e na mecânica do jogo.

Contexto

A história de Lunar começou no início da década de 90. A empresa Game Arts, que já tinha feito alguns jogos de plataforma pra PC Engine e Genesis decidiu investir suas fichas em um RPG com um objetivo diferente em mente. Segundo eles, os RPGs da época tinham história, mas não contavam uma história e o objetivo principal do RPG que eles desenvolveriam era contar a história do jogo. Tanto é que o foco do jogo ficou por conta da narrativa e da interação entre os personagens. Aproveitando-se do surgimento dos consoles com unidades de leitura de CD, que catapultaram a capacidade dos dispositivos de armazenamento de consoles de 2 megabytes para 640 megabytes, a equipe que desenvolveu o jogo aproveitou para rechear o jogo com pequenos vídeos de animação, vozes para os personagens e músicas com qualidade de CD.

Apesar de não ter sido um sucesso retumbante na época, principalmente devido as baixas vendas do Sega CD, o jogo foi um grande sucesso para o console, vendendo, na época de seu lançamento, praticamente o mesmo número de cópias que o Sega CD no Japão. Além disso, o jogo teve um impacto muito grande no gênero, sedimentando o estilo Storytelling RPG, que viria a dominar o cenário japonês, e lançando padrões técnicos para os JRPGs dos anos futuros. Tamanha é a importância do jogo que ele vem recebendo remakes a cada geração de consoles.

O que é legal em Lunar: The Silver Star


Como todo bom RPG, mostros bizarros não faltam.
Como já foi mencionado anteriormente, o diferencial de Lunar: The Silver Star, é que ele foi feito para ser um jogo belo. Enquanto as empresas desenvolvedoras de RPG líderes do Japão ainda experimentavam bastante com a jogabilidade, os recursos, as mecânicas de jogo e o estilo de narrativa, Lunar foca-se totalmente em trazer uma história caprichada em visual e narrativa. O jogo em si possui a mecânica tradicional dos RPGs da época, com combates baseados em turno com um leve toque de combate estratégico, uma temática fantástica-medieval, interação com personagens em cidades, exploração de áreas, cavernas e torres com monstros, chefes em certas partes do jogo e um desenvolvimento bastante linear.

No jogo, você assume o papel de um adolescente chamado Alex, que tem por ídolo o Dragonmaster Dyne, herói que salvou a deusa Althena algumas décadas atrás. Alex sonha em ser como Dyne, já morto na época do jogo, e se junta a sua irmã de criação Luna, seus amigos Ramus e Nall, esse último um animal alado, e saem em busca de viver uma aventura em uma caverna próxima a cidade natal de Alex. O que eles não sabiam é que eles estavam prestes a embarcar em uma aventura muito maior, e Alex logo sentira a necessidade de tentar se tornar um herói de verdade. Para isso, ele contará com a ajuda de outros amigos que encontrará pelo caminho, numa trama que se desenvolve progressivamente e vai se tornando cada vez mais complexa.


É melhor tomar cuidado, pois, apesar da carinha bonita,
ela chuta bundas dos inimigos, e pode chutar a sua também.
A história, apesar de ser previsível em muitos aspectos e usar alguns estereótipos tradicionais dos RPGs, é bem construída, e, amparada pelos belos vídeos de animação, músicas e o constante diálogo e relacionamento entre os personagens fazem com que o jogador seja facilmente levado pela beleza e o charme do jogo. Além do aspecto de descoberta do mundo bem presente no jogo, a história também possui algumas surpresas que acabam por surpreender o jogador. Felizmente, ela foge bem do estereótipo do cara mal que quer destruir o mundo porque acordou de mau-humor e apenas os escolhidos podem derrotá-lo e trazer a paz permanente. Além disso, os toques de humor do enredo são imperdíveis, seja do original e das traduções mais fiéis, como a da XSEED, ou a tradução heretodóxa da Working Designs, que adiciona elementos de cultura popular ao jogo.

Os remakes do jogo, sendo o mais conhecido o Lunar: The Silver Star Story Complete, de Playstation, expandem um pouco a história, acrescentando mais NPCs, alguns personagens chave a mais, sem, no entanto, desfigurar a história do jogo.
  
O que faz com que Lunar: The Silver Star mereça ser jogado
 

Na verdade vale a pena mesmo
jogar só para ver a Mia nua.
Apesar de não apresentar nenhum aspecto revolucionário, Lunar: The Silver Star cumpriu bem a sua proposta de fazer um jogo bonito, focado na história. Por ser um dos precursores dos Storytelling RPGs, gênero que virou sinônimo de RPG japonês, o jogo possui uma importância histórica muito grande. Além disso, por ser um RPG da quarta geração (16-bit), Lunar apresenta aquele charme que os jogos da era tinham, sendo considerada a "era de ouro dos videogames" por muitas pessoas, mas também aponta para o futuro e é impossível de jogá-lo sem relacioná-lo com jogos que viriam a se tornar um sucesso nas próximas gerações de consoles.


Para aqueles que não gostam do visual "retrô", ainda tem a alternativa dos remakes, sendo o de PSP o mais belo, com a adição de dezenas de retratos bonitos dos personagens e a trilha sonora remixada, utilizando instrumentos reais ao invés dos sintetizados das demais versões. Mas, de qualquer forma, o que realmente vai apaixonar o jogador são as belas animações originais, o clima mágico e positivo do jogo e, principalmente, a história inocente, despretensiosa, cativante e emocionante, que, apesar dos estereótipos e dos aspectos previsíveis, vai fazer o jogador se deixar absorver pelo mundo mágico de Lunar e chegar ao fim de 50 horas de jogo com um sorriso no rosto e uma lembrança boa dessa aventura que é uma obra de arte dos videogames.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Phantasy Star

Informação
Phantasy Star
* Gênero: JRPG
* Geração: 8-bit
* Console: Master System
* Ano: 1987
* Desenvolvedor: Sega
+ Remake para Playstation 2, com gráficos melhorados, mudanças na história e na mecânica do jogo (Phantasy Star Generations).


Contexto

A história de Phantasy Star começou logo depois do aparecimento de Dragon Quest (Dragon Warrior) em 1986, no Japão. O jogo importou o gênero RPG do mercado ocidental de jogos para computador para o mercado oriental de videogames e a aposta deu tão certo que logo o jogo mais aguardado pelos japoneses era o Dragon Quest II. Nesse clima, a Sega resolveu reunir um time de primeira e lançar o seu próprio RPG, tentando alavancar o seu console Master System, que tentava enfrentar a concorrência do Nintendo Entertainment System, que dominava os mercados japonês e americano. O jogo surgiu no fim de 1987 e foi um sucesso, sendo considerado um dos melhores jogos para o console.

O que é legal em Phantasy Star


Esse esperto, que deixou o antídoto com um gato
que não consegue abrir o frasco será seu companheiro.

O Phantasy Star apresenta alguns diferenciais em relação aos rpgs da mesma época. A começar pela narrativa que, ao invés de personagens identificados por classes, apresenta personagens prontos, com nome e face reconhecidas. Você assume o papel de Alis, uma garota de 15 anos, cujo irmão Nero foi morto pelos guardas-robô do tirano imperador Lassic. Antes de morrer, Nero deixa como missão para sua irmã continuar o seu trabalho de investigar o comportamento estranho do Lassic. Daí em diante, o jogador embarca em uma jornada que te leva  a dezenas de cidades, cavernas e torres em três planetas, cada um com fortes características particulares, conversando com personagens de diferentes raças e personalidades em busca de ítens variados e armas mais poderosas que o permitam avançar na jornada. Além disso, durante o jogo, a heroína Alis consegue recrutar mais três personagens para a sua missão de derrotar o tirano. 


Na parte técnica, o jogo é caprichadíssimo. A navegação em pseudo-3D dentro dos labirintos é uma característica marcante do jogo. Além de ser mais interessante que a navegação 2D, os labirintos ganharam em complexidade, tirando o sono de muitos jogadores. Navegá-los é um verdadeiro trabalho de exploração. Além disso, o jogo conta com , imagens em tela cheia de npcs e localizações, dezenas de inimigos com gráficos bem detalhados e inúmeras animações, tanto de inimigo quanto de cenário, proporcionados pelo fato do combate ter vista frontal dos inimigos ao invés de lateral. Além disso, a trilha sonora és marcante, melhorada por um chip FM (só na versão japonesa). A diversidade apresentada no jogo impressiona, levando em conta a época e o sistema para o qual ele foi feito, pois em muitos aspectos ele supera qualquer outro jogo da mesma época, seja na quantidade e qualidade de gráficos, informações, mecânica de jogo, recursos e efeitos. Tudo isso em meio megabyte de memória.
  
O que torna Phantasy Star imperdível

Isso que dá comer uma fatia de um bolo comprado
no último andar de uma caverna.
Os primeiros RPGs japoneses não ofereciam muito em termos de "role-play", e o Phantasy Star é um típico representante de sua era, com um caminho bastante linear (ainda que algumas missões que todo mundo completa não são obrigatórias) e um estilo bem simples de combate por turno. No entanto, o jogo possui uma história fortíssima, que foge aos padrões tradicionais de um mundo medieval, dominado por mágica, no qual algum vilão quer destruir toda a humanidade por um motivo qualquer e os heróis são a última esperança do mundo. Phantasy Star se passa em um ambiente futurista, de alta tecnologia, cuja trama apresenta mais aspectos políticos do que místicos, e os heróis são pessoas fortes, mas comuns. Além disso, a presença de personagens bem delineados e de um texto mais elaborado para os NPCs deixa a história mais rica, ainda que a interação entre os personagens seja bem primária, dadas as limitações da época. Esses aspectos fazem com que o jogador seja absorvido facilmente pelo jogo, pré-requisito essencial para o sucesso de qualquer RPG.

Em resumo, o jogo apresenta uma história original, mais elaborada e menos previsível que os demais jogos do estilo, além de uma qualidade técnica excelente para a época em que foi feito. Olhando para trás, fica claro que o gênero avançou muito em 25 anos, mas além de ser um jogo que marcou época, ele continua sendo uma jornada divertida e fascinante mesmo para quem quiser arriscar jogá-lo hoje. Você vai se impressionar com o ritmo da história, se desenrolando de forma sutil, vai se perder nos complexos labirintos, vai sofrer em embates contra oponentes fortíssimos, e vai se sentir realizado ao finalmente ver o desfecho dessa jornada tão cativante.

Minhas crianças o cacete! Vamos te cobrir de porrada!