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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Final Fantasy V

Informação

Final Fantasy V
* Gênero: Storytelling RPG
* Geração: 16-bit (original)
* Console: SNES
* Ano: 1992
* Desenvolvedor: Square Soft
+ Remake para Playstation e Game Boy Advance, com gráficos e áudio melhorados.











Contexto

Seguindo o sucesso de Final Fantasy IV, a Square não perdeu tempo e já iniciou o desenvolvimento de um novo título da série, tentando pegar carona no sucesso do predecessor. No entanto, a Square não quis fazer uma cópia do predecessor, investindo mais em "role-play" que o predecessor, trazendo de volta o sistema de profissões customizável, ao contrário das profissões fixas de Final Fantasy IV. Além disso, o tom da história é menos dramático do que em Final Fantasy IV, investindo menos no personagem principal e mais na história dos demais personagens e do mundo em que o jogo se passa.

Agora que eu tô tomando um coro que eu descobri a
importância de não escolher as profissões aleatoriamente...
O fato do jogo não ter sido lançado fora do Japão na época (a primeira versão só saiu em 1999 no ocidente) fez com que o jogo seja esquecido, perdido entre o grande sucesso de público e crítica de Final Fantasy IV e Final Fantasy VI (II e III respectivamente no ocidente). Seu lançamento posterior acabou contribuindo negativamente para a sua reputação, pois, em comparação com as histórias dramáticas a que o público havia se habituado em FFIV, FFVI, FFVII e FFVIII, a história do FFV pareceu muito convencional. Além disso, seus avanços gráficos não impressionaram, pois já eram obsoletos, fazendo com que o jogo ficasse com uma reputação pior do que merecia.



O que é legal em Final Fantasy V

Os bons e velhos cristais estão de volta,
como não poderia deixar de ser.
Final Fantasy V tenta fazer a combinação perfeita entre Storytelling e role-play, e chega bem perto disso. Ao contrário da noção que se fez do jogo, ele possui uma história bem desenvolvida e interessante. Você assume o papel de Bartz, um jovem que passeando com seu chocobo, por acaso se vê perto do local da queda de um meteoro. Curioso, ele decide investigar e acaba por encontrar Lenna, que está a procura de seu pai que também tinha ido investigar o meteoro por causa do vento que anormalmente parou de soprar, e Galuf, um senhor que não lembra direito o que foi fazer na região, mas lembra que também foi investigar o meteoro. A história naturalmente vai se desenrolando e logo se descobre que a origem dos problemas está ligada a quatro cristais, escondidos em templos, para selar o mal de "Void", liderado pelo vilão Exdeath, que havia sido derrotado décadas atrás.

A história vai naturalmente se expandindo, em dois mundos diferentes e diversas localidades, nas quais eventos vão acontecimentos progressivamente. A medida que a história vai se desenrolando, o passado dos heróis, de outros NPCs e do mundo em que eles habitam vai sendo contada, não sem grandes pitadas de drama e muitos revéses por parte dos personagens. O protagonista em si não tem sua história muito desenvolvida, mas as histórias da princesa Lenna, da pirata Faris, do guerreiro Galuf e da garota Krile são bem desenvolvidas e intrigantes. Apesar de ser recheada de estereótipos, é uma história convincente.

O que faz com que Final Fantasy V seja imperdível

Esse menu vai ser aberto 1000 vezes, e mesmo
assim você não vai se cansar de fazer isso.
O grande atrativo do jogo é o sistema de profissões, que são mais de 20 no total. Ao invés de personagens com características definidas, o jogador pode configurar profissões para cada um dos personagens. Esse sistema funciona da seguinte forma: Cada profissão possui uma habilidade intrínseca, além de características que definem suas estatísticas (HP e MP) e qual equipamento pode usar. Além disso, ao vencer batalhas, os personagens ganham pontos de habilidade (AP). Cada profissão possui alguns níveis de experiência e cada vez que o personagem passa de nível, aprende uma habilidade da profissão. O personagem pode escolher, além da habilidade intrínseca de sua profissão, uma outra dentre as que já aprendeu. Com isso, é possível configurar os personagens ao gosto do jogador. Isso torna o jogo deveras interessante, pois, ao contrário da maioria dos RPGs com habilidades fixas, certamente, cada vez que o jogador jogar FFV, desenvolverá seus personagens de maneira diferente, explorando as diferentes combinações de profissões e habilidades.

Normalmente, os Storytelling games sofrem da falta de role-play, mas o Final Fantasy V acertou a mão, combinando bem os dois elementos. Sem contar que o jogo é repleto de side-quests, mistérios, e até chefes secretos, inaugurando tendências que deixariam os jogos da série mais ricos. E pra dar um toque especial, o jogo possui finais diferentes, dependendo do resultado da última batalha, o que contribui mais para tornar cada vez que o mesmo jogador FFV uma experiência nova.

Todo esse conjunto possibilidades de customização e de elementos de role-play fazem o FFV ser um dos poucos Storytelling RPGs com combate baseado em turnos onde o jogador provavelmente vai se divertir bastante durante as batalhas e não vai apenas torcer para chegar rápido no fim das áreas que tem inimigos para ver ou ler o próximo trecho de história. E é um dos raros jogos do gênero onde vale a pena embarcar mais de uma vez na mesma jornada não só pra rever uma história inteligente e cativante novamente, mas para se divertir a beça entre os atos da peça principal.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Lunar: The Silver Star

Informação

Lunar: The Silver Star
* Gênero: Storytelling RPG
* Geração: 16-bit (original) / 32-bit e superiores (remakes)
* Console: Sega CD
* Ano: 1992
* Desenvolvedor: Game Arts
+ Remake para Sega Saturn (Lunar: The Silver Star Story), Playstation (Lunar: The Silver Star Story Complete), Gameboy Advance (Lunar Legend) e Playstation Portable (Lunar: The Silver Star Harmony), todos com gráficos e áudio melhorados, mais pequenas mudanças na história e na mecânica do jogo.

Contexto

A história de Lunar começou no início da década de 90. A empresa Game Arts, que já tinha feito alguns jogos de plataforma pra PC Engine e Genesis decidiu investir suas fichas em um RPG com um objetivo diferente em mente. Segundo eles, os RPGs da época tinham história, mas não contavam uma história e o objetivo principal do RPG que eles desenvolveriam era contar a história do jogo. Tanto é que o foco do jogo ficou por conta da narrativa e da interação entre os personagens. Aproveitando-se do surgimento dos consoles com unidades de leitura de CD, que catapultaram a capacidade dos dispositivos de armazenamento de consoles de 2 megabytes para 640 megabytes, a equipe que desenvolveu o jogo aproveitou para rechear o jogo com pequenos vídeos de animação, vozes para os personagens e músicas com qualidade de CD.

Apesar de não ter sido um sucesso retumbante na época, principalmente devido as baixas vendas do Sega CD, o jogo foi um grande sucesso para o console, vendendo, na época de seu lançamento, praticamente o mesmo número de cópias que o Sega CD no Japão. Além disso, o jogo teve um impacto muito grande no gênero, sedimentando o estilo Storytelling RPG, que viria a dominar o cenário japonês, e lançando padrões técnicos para os JRPGs dos anos futuros. Tamanha é a importância do jogo que ele vem recebendo remakes a cada geração de consoles.

O que é legal em Lunar: The Silver Star


Como todo bom RPG, mostros bizarros não faltam.
Como já foi mencionado anteriormente, o diferencial de Lunar: The Silver Star, é que ele foi feito para ser um jogo belo. Enquanto as empresas desenvolvedoras de RPG líderes do Japão ainda experimentavam bastante com a jogabilidade, os recursos, as mecânicas de jogo e o estilo de narrativa, Lunar foca-se totalmente em trazer uma história caprichada em visual e narrativa. O jogo em si possui a mecânica tradicional dos RPGs da época, com combates baseados em turno com um leve toque de combate estratégico, uma temática fantástica-medieval, interação com personagens em cidades, exploração de áreas, cavernas e torres com monstros, chefes em certas partes do jogo e um desenvolvimento bastante linear.

No jogo, você assume o papel de um adolescente chamado Alex, que tem por ídolo o Dragonmaster Dyne, herói que salvou a deusa Althena algumas décadas atrás. Alex sonha em ser como Dyne, já morto na época do jogo, e se junta a sua irmã de criação Luna, seus amigos Ramus e Nall, esse último um animal alado, e saem em busca de viver uma aventura em uma caverna próxima a cidade natal de Alex. O que eles não sabiam é que eles estavam prestes a embarcar em uma aventura muito maior, e Alex logo sentira a necessidade de tentar se tornar um herói de verdade. Para isso, ele contará com a ajuda de outros amigos que encontrará pelo caminho, numa trama que se desenvolve progressivamente e vai se tornando cada vez mais complexa.


É melhor tomar cuidado, pois, apesar da carinha bonita,
ela chuta bundas dos inimigos, e pode chutar a sua também.
A história, apesar de ser previsível em muitos aspectos e usar alguns estereótipos tradicionais dos RPGs, é bem construída, e, amparada pelos belos vídeos de animação, músicas e o constante diálogo e relacionamento entre os personagens fazem com que o jogador seja facilmente levado pela beleza e o charme do jogo. Além do aspecto de descoberta do mundo bem presente no jogo, a história também possui algumas surpresas que acabam por surpreender o jogador. Felizmente, ela foge bem do estereótipo do cara mal que quer destruir o mundo porque acordou de mau-humor e apenas os escolhidos podem derrotá-lo e trazer a paz permanente. Além disso, os toques de humor do enredo são imperdíveis, seja do original e das traduções mais fiéis, como a da XSEED, ou a tradução heretodóxa da Working Designs, que adiciona elementos de cultura popular ao jogo.

Os remakes do jogo, sendo o mais conhecido o Lunar: The Silver Star Story Complete, de Playstation, expandem um pouco a história, acrescentando mais NPCs, alguns personagens chave a mais, sem, no entanto, desfigurar a história do jogo.
  
O que faz com que Lunar: The Silver Star mereça ser jogado
 

Na verdade vale a pena mesmo
jogar só para ver a Mia nua.
Apesar de não apresentar nenhum aspecto revolucionário, Lunar: The Silver Star cumpriu bem a sua proposta de fazer um jogo bonito, focado na história. Por ser um dos precursores dos Storytelling RPGs, gênero que virou sinônimo de RPG japonês, o jogo possui uma importância histórica muito grande. Além disso, por ser um RPG da quarta geração (16-bit), Lunar apresenta aquele charme que os jogos da era tinham, sendo considerada a "era de ouro dos videogames" por muitas pessoas, mas também aponta para o futuro e é impossível de jogá-lo sem relacioná-lo com jogos que viriam a se tornar um sucesso nas próximas gerações de consoles.


Para aqueles que não gostam do visual "retrô", ainda tem a alternativa dos remakes, sendo o de PSP o mais belo, com a adição de dezenas de retratos bonitos dos personagens e a trilha sonora remixada, utilizando instrumentos reais ao invés dos sintetizados das demais versões. Mas, de qualquer forma, o que realmente vai apaixonar o jogador são as belas animações originais, o clima mágico e positivo do jogo e, principalmente, a história inocente, despretensiosa, cativante e emocionante, que, apesar dos estereótipos e dos aspectos previsíveis, vai fazer o jogador se deixar absorver pelo mundo mágico de Lunar e chegar ao fim de 50 horas de jogo com um sorriso no rosto e uma lembrança boa dessa aventura que é uma obra de arte dos videogames.