Informação
* Gênero: RPG
* Geração: DOS
* Console: PC
* Ano: 1993
* Desenvolvedor: Dynamix/Sierra
Contexto
No começo da década de 90, os designers da Dynamix Neal Hallford e John Cutter decidiram fazer um RPG baseado na longa obra de fantasia do autor Raymond E. Feist. Com a aprovação do mesmo, a empresa, então uma subsidiaria da gigante Sierra desenvolveu um RPG que unia tecnologia de ponta, mecânica de jogo interessante e uma história intrigante que se beneficiava do rico mundo criado por Feist. O resultado foi um dos RPGs mais aclamados da década, premiado e frequentador de listas de melhores jogos para PC.
Como é o Betrayal of Krondor
Betrayal of Krondor é um RPG bastante complexo, focando tanto na história quanto na jogabilidade. A história é contada como se fosse um livro mesmo, fato que não deixou de se tornar real, pois o autor Raymond E. Feist transformou a história do jogo em um livro de sua longa série Riftwar Cycle. Dividido em nove capítulos, cada um dos capítulos começa com uma longa introdução textual, apresentada graficamente em forma de livro. A qualidade do texto surpreende, e ajuda a ambientar o jogador não familiarizado com o universo de Feist. Intercalado com o texto, existem cutscenes, com imagens digitalizadas de ótima qualidade para a época.
Afora isso, o jogo é repleto de informações detalhadas, e diálogos ricos. Em nenhum momento você encontra um NPC que fale uma frase jogada ao vento. Todos eles possuem uma história, e a interação entre os personagens é bastante verossímil. Até mesmo bater na porta da casa de um desconhecido e ser enxotado possui uma descrição bem real dos eventos.
Já na parte da jogabilidade, o jogo une um modo de exploração do mundo em 3D, em primeira pessoa, com batalhas por turno com elementos de estratégia. O campo de batalha é um grid com posições, e os personagens podem movimentar-se um certo número de posições por turno. Além disso, o posicionamento determina uma maior ou menor precisão em ataques com arco e flecha ou magias de projétil. Tanto os heróis quanto os inimigos possuem diversas características que podem ser exploradas durante a batalha para aumentar a chance de sucesso.
As batalhas, em geral, são pré-definidas, com os inimigos espalhados pelo mapa, e se iniciam assim que os personagens se aproximam dos inimigos no modo de exploração do mundo. No entanto, dependendo do nível de furtividade dos personagens, é possível tentar ganhar a iniciativa nas batalhas ou até mesmo evitar os inimigos que bloqueiam o caminho. Ao vencer uma batalha, cabe ao jogador pilhar os cadáveres, que podem não conter nada, bem como conter itens úteis, como dinheiro, armas e outros equipamentos.
O jogo também possui um mecanismo complexo de evolução dos personagens, que permite o jogador definir quais habilidades de cada personagem pretende evoluir mais rapidamente. A evolução de várias habilidades se dá por aprendizado, ou seja, quanto mais utilizada, mais o personagem evolui. O jogo também leva em conta doenças e envenenamento, que podem causar a morte dos personagens. Além disso, o jogo possui um sistema de ciclo do tempo, onde é necessário se alimentar e repousar. A falta de comida costuma ser uma causa comum de morte dos jogadores desprevinidos.
O sistema de gerenciamento de itens também é bastante interessante, pois inclui desgaste e reparo de armamentos, além de sistemas de modificação dos atributos de armas e outros equipamentos. Dependendo da qualidade dos itens, é possível conseguir preços variados ao vendê-los. Os preços das lojas também variam, dependendo da localidade e da especialidade de cada loja. Fora que a quantidade de diferentes itens disponíveis tornam o jogo bastante interessante.
Por fim, o jogo possui também alguns puzzles na forma de armadilhas que o jogador encontra pelo caminho, que exigem planejamento para serem vencidas. Outro puzzle marcante são as arcas com travas na forma de charadas, que só podem ser abertas caso a resposta da charada seja descoberta.
O que torna Betrayal At Krondor especial
Betrayal at Krondor é um dos poucos, senão o único RPG que consegue unir a experiência de acompanhar uma história como em um livro e participar interativamente dela, de forma decisiva. O enredo do jogo é bastante envolvente, fazendo jus à série de livros que o inspira. O mundo é bastante vasto, com vários segredos e missões paralelas escondidas nas cidades ou em lugares ermos, que estimulam o jogador a tomar parte delas e proporcionando experiências novas, ao passo que a história principal é realmente bem construída e mantém-se instigante do começo ao fim. É impossível não se sentir estimulado a conhecer os mundos diferentes que vão se apresentando ao decorrer do jogo, e não se envolver cada vez mais na história dos personagens, tanto os principais quanto os npcs.![]() |
| A beleza da arte dá um tom especial ao jogo. |
Soma-se a isso também uma apresentação impecável para os padrões da época, com gráficos muito bons, incluindo artes bonitas das cidades, cenários e objetos, além do uso da incipiente tecnologia de renderização poligonal para a navegação no jogo, tornando-o um pioneiro. E, pra complementar, uma jogabildade ao mesmo tempo complexa e intuitiva, apresentando desafios e permitindo ao jogador fazer várias escolhas, percorrer diferentes caminhos, e desenvolver seus personagens de forma diferente.
Tudo isso faz o Betrayal at Krondor um RPG gostoso de se jogar do início ao fim, e não é preciso pensar muito para perceber que o jogo faz jus a todos os prêmios que recebeu na época, por proporcionar uma experiência rica e única em RPGs, e aproximando de forma magistral o mundo dos jogos e a literatura fantástica.



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