terça-feira, 9 de outubro de 2012

Valkyria Chronicles

Informação

Valkyria Chronicles
* Gênero: SRPG
* Geração: 7a,
* Console: Playstation 3
* Ano: 2008
* Desenvolvedor: Sega








Contexto

A antiga gigante dos games já não é mais aquela empresa que impressionava os gamers de todo o mundo guiando o mercado com inovações em hardware e software e competindo pela liderança. No entanto, apesar de várias mancadas e problemas financeiros, a Sega ainda possui alguns lampejos de brilhantismo que remetem ao seu passado glorioso, e o primeiro jogo da série de RPGs estratégicos aos tempos áureos da empresa, ao unir uma apresentação bela e original, uma mecânica de jogo surpreendente e uma história muito superior aos clichés que povoam o gênero.

O que faz Valkyria Chronicles destacar-se em meio aos outros RPGs

Pra começar, a Sega fez como nos tempos de Phantasy Star II e foi buscar inspiração para o jogo em um lugar totalmente diferente dos temas fantásticos medievais ou semi-futurísticos que dominam os RPGs nos últimos vinte anos. Olhando para a melhor fonte de inspiração que temos, que é a própria história da humanidade, a Sega decidiu revolucionar o gênero ao trazer a tensão de uma das épocas mais emblemáticas e sombrias para dentro de nossas casas com um ambiente bastante inspirado no cenário da segunda guerra mundial.


Guerra não é só desgraça :D
 A hístória é contada como se fosse um livro de crônicas de uma violenta guerra na qual Gallia, um pequeno país ensanduichado entre duas potências gigantes do continente Europa, é invadido pela Aliança Imperial. A Aliança Imperial busca se apossar das extensas reservas naturais de Ragnite da pequena Gallia para abastecer seu esforço de guerra contra a Federação Atlântica, a outra potência do continente. Ragnite é um mineral de múltiplos propósitos utilizado como combustível, explosivos e matéria-prima de remédios, por isso é tão desejado pela potência que invade a pequena nação sem pensar duas vezes, contando com sua superioridade militar. E assim, dá início a uma das mais belas histórias contadas em um jogo, lidando com todas as questões que  atormentam os seres humanos em uma situação terrível como a guerra.


Sai da frente!
 Em relação à jogabilidade, o Valkyria Chronicles consegue transportar perfeitamente as características de uma guerra para um RPG tático. Seu esquadrão conta com diversos soldados de cinco diferentes tipos. Esses soldados possuem características e talentos especiais, que os tornam únicos, mas em geral o comportamento dos soldados depende bastante da classe a qual pertencem. E as características de cada soldado os tornam especiais, pois podem vir desde uma afinidade com certo tipo de terreno, a uma afinidade ou inimizade com um outro membro do batalhão.

Já as batalhas são basicamente operações de guerra, onde você pode escolher um número limitado de soldados para cada campo de batalha e deixar outros na reserva, caso seja necessário. A partir daí, como qualquer bom RPG tático, o jogador deve mover seus soldados pelo campo de batalha de forma a conquistar o objetivo da missão e combater os inimigos. Só que o campo do jogo é um mundo aberto, ao contrário da maioria dos RPGs táticos onde o campo é um grid, como um tabuleiro.

Ministério da saúde adverte: correr na frente de um
tanque de guerra faz mal à saúde.
Duas coisas bacanas da forma de combate é que eles são parcialmente em tempo real, ou seja, apesar de cada soldado ter uma fase de atacar ou defender, durante a movimentação, o soldado (tanto os do jogador quanto os da AI) é alvejado pelos inimigos que estiverem virados para ele e cujas armas tenham alcance para atingí-lo. Isso torna a batalha muito mais complexa, pois não basta apenas planejar os ataques de cada soldado, mas também a movimentação e o posicionamento das tropas. Outro ponto interessante é que, a cada turno, o jogador tem à sua disposição uma quantidade de ações, e pode usar mais de um conjunto de movimento / ação por personagem, com a única punição de que o personagem "se cansa", e por isso movimenta-se menos. Dependendo da necessidade, pode-se usar todos os movimentos de um turno com uma única unidade, ou então não usar todos os movimentos e acumular para o próximo turno.

O que faz de Valkyria Chronicles uma obra-prima do gênero

Assim até eu me alistava
Valkyria Chronicles consegue unir perfeitamente as características de um jogo de guerra com os melhores elementos de um RPG tipicamente japonês. Além da história excelente e muito mais densa e madura que os típicos dramalhões pessoais que tomaram conta dos RPGs ante ao sucesso dos Final Fantasy da quarta e principalmente da quinta geração e da apresentação soberba utilizando técnicas de cel-shading (só a abertura é um show a parte, onde a imagem inicial dos personagens montados em um tanque de guerra começa a ser pintada como uma aquarela e de repente o tanque começa a se movimentar junto com a câmera, dando vida à pintura), o jogo prima pela jogabilidade.

Além de trazer para o mundo dos jogos dilemas éticos e morais, e todos os horrores da guerra, inclusive trazendo a dura realidade da vida para o jogo: os personagens do seu esquadrão podem facilmente ser mortos por qualquer errinho pequeno de estratégia e suas mortes são permanentes; Valkyria Chronicles consegue ser mais divertido durante as missões de combate do que durante os trechos de história. Você realmente se coloca na pele de um comandante de esquadrão que tem que pensar muito bem seus movimentos para obter sucesso, sabendo que qualquer errinho pode custar a vida de seres humanos próximos a você, e inclusive sua própria vida, e são muito frequentes os momentos de tensão, alívio, raiva e arrependemento. É um jogo que consegue te deixar no limite o tempo todo. De forma brilhante, evita o marasmo, a repetição, a jogabilidade desinteressante e os clichés batidos que permeiam o gênero, reunindo uma história cativante e uma jogabilidade envolvente em uma obra-prima deste gênero tão malhado pela crítica recentemente.

Portanto, quem se dispor a jogar Valkyria Chronicles encontrará uma experiência única, original e brilhantemente executada, por isso é um jogo imperdível tanto para os fãs de RPGs quanto para aqueles que estão cansados dos tradicionais RPGs cuja jogabilidade não evoluiu significamente desde o começo da década de 90. 

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