sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Phantasy Star IV

Informação

Phantasy Star IV
* Gênero: Storytelling RPG
* Geração: 16-bit
* Console: Mega Drive/Genesis
* Ano: 1993
* Desenvolvedor: Sega










Contexto

O plano original era trazer de volta os
personagens dos jogos anteriores.
Algum tempo após o sucesso moderado de Phantasy Star III, porém abaixo das expectativas, a Sega decidiu dar continuidade à sua principal série de RPGs, trazendo de volta parte do time principal que havia trabalhado em Phantasy Star I e Phantasy Star II, para aproveitar o lento crescimento do gênero no ocidente e tentar finalmente fazer frente ao sucesso de Dragon Quest e Final Fantasy, séries de RPG feitas para o console concorrente do Mega Drive, que não só eram um grande sucesso no mercado japonês como também, no caso de Final Fantasy, teve uma boa recepção no ocidente, ainda que isso não tenha se refletido em vendas.

O Phantasy  Star IV foi um RPG que nasceu cercado de diversas dúvidas, partindo desde o roteiro em si até mesmo o sistema para o qual o jogo seria lançado. Os primeiros planos indicavam um RPG feito para Sega CD, tentando trilhar o caminho aberto por Lunar: The Silver Star, só que utilizando vídeos live-action ao invés de animações. Já as primeiras idéias de roteiro pensavam em dar continuidade ao enredo do Phantasy Star III. No entanto, atrasos e mudanças de projeto acabaram colocando Phantasy Star IV no Mega Drive, pois o Sega CD não teve a recepção esperada. Além disso, mudanças de roteiro eliminaram dos planos trazer de volta personagens como Alis e Nei, e, finalmente, colocando o jogo como uma continuação dos eventos de Phantasy Star II, 1000 anos depois.

O que é legal em Phantasy Star IV

A parte gráfica impressiona.
A equipe que fez Phantasy Star IV se aproveitou da evolução tecnológica para trazer uma narrativa bem maior do que os predecessores, inspirando-se em Final Fantasy IV e Lunar: The Silver Star, que trouxeram a história do jogo para a linha de frente. Combinado com os dialogos bem mais elaborados, a equipe investiu pesadamente em artes, adicionando imagens nas cutscenes, que vão se sobrepondo a medida que o diálogo vai avançando. Certamente esse capricho na parte visual é uma das razões para que Phantasy Star IV seja considerado um dos melhores RPGs da época.

Em Phantasy Star IV, você assume o papel de Chaz, um garoto de 16 anos que acompanha sua mentora Alys em uma missão para investigar monstros que apareceram no porão da universidade. Eles são hunters, um tipo de polícia mercenária de Motavia, e se unem ao cientista Hahn, que quer estudar a causa do aparecimento dos monstros. Mas logo após cumprir a missão que lhes é confiada, o grupo acaba descobrindo que a origem do problema vai muito mais longe, e todas as pistas indicam que o responsável pelas calamidades atuais é um feiticeiro misterioso chamado Zio. A partir daí, Chaz e seus companheiros embarcam em uma aventura para resgatar o passado perdido do sistema de Algol, além de desvendar mistérios nunca antes revelados.

Te conheço de algum lugar...
Já em relação ao gameplay, Phantasy Star IV fica devendo um pouco de inovação, pois o jogo é extremamente linear e é centrado em um sistema de batalhas por turnos bem simplificado, deixando poucas alternativas para o jogador. Isso, aliado a um nível de dificuldade bem baixo, torna a experiência de jogo pouco interessante, e muitas vezes o jogador se vê apertando botões apenas para chegar logo na próxima cutscene. É agradável para quem está interessado na história, mas deixa um pouco a desejar em matéria de desafio, principalmente levando em conta que os RPGs contemporâneos conseguiam equilibrar melhor a relação entre história e gameplay.


O fim melancólico da série

Tributo a Phantasy Star II
Phantasy Star IV é o fim melancólico da principal série de RPGs da Sega. Em algum momento, os desenvolvedores decidiram que Phantasy Star IV seria um jogo para fechar de vez a história da série, colocando uma pedra final na história de um universo bastante interessante e original para o gênero. E, se por um lado Phantasy Star IV fez um belo trabalho ao explorar um pouco mais desse universo tão interessante, principalmente dando mais destaque aos Motavianos e Dezorianos, Phantasy Star IV também pecou em alguns aspectos, se descaracterizando um pouco. Para dar um fim à série, infelizmente os desenvolvedores recorreram a um argumento bem batido, com um vilão que quer destruir toda a humanidade sem um bom motivo para isso, um confronto entre o bem absoluto contra o mal absoluto e heróis escolhidos pela entidade que representa a luz para derrotar a escuridão e trazer paz eterna para o universo (Final Fantasy?). Tudo isso em um ambiente pré-industrial, com apenas resquícios do ambiente futurista de Phantasy Star I e Phantasy Star II. Esses argumentos bem batidos não tornam a história ruim, mas não fazem juz ao primor das histórias dos demais jogos da série.

Cenas marcantes inspiradas nos jogos anteriores da série.
Além disso, preocupada com o fato de muitas pessoas não terem gostado do fato que Phantasy Star III não se passava no mesmo ambiente que Phantasy Star I e Phantasy Star II, e de que sua ligação com os demais jogos da série demorava a aparecer, a equipe de Phantasy Star IV decidiu que o jogo deveria transpirar Phantasy Star a todo o momento. Para isso, usaram cópias de personagens dos outros jogos da série, inclusive reaproveitando esboços de imagens de personagens dos outros jogos que não foram usados nos jogos em si para compor os personagens novos. E há uma preocupação tão grande em inserir elementos que liguem o Phantasy Star IV que esses elementos acabam prejudicando um pouco a parte original do enredo. Se Phantasy Star III pecou pela falta (e, quando revela a verdade, o faz de forma magistral), Phantasy Star IV pecou pelo excesso. É claro que todo fã de Phantasy Star curte as referências boas aos jogos anteriores da série, mas algumas delas são sem sentido e totalmente dispensáveis. 

Enfim, a Sega fez um jogo que conseguiu agradar os olhos dos jogadores e encerrar a sua principal série de RPGs com um esforço convincente e bom para o crepúsculo da geração 16-bit. No entanto, foi um crime colocar uma pedra final no maravilhoso universo de Phantasy Star, que hoje sobrevive apenas como título de uma série de jogos online, que pouco têm a ver com uma das mais importantes séries de RPG da aurora dos JRPGs. E Phantasy Star IV deve ser jogado assim, aproveitando toda a beleza, relembrando os momentos importantes de toda a série, relevando a falta de originalidade e de desafio e, no fim, lamentar o fim de uma série tão fantástica de RPGs.

Pois é... Acabou...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ys - Ancient Ys Vanished

 Informação

Ys - Ancient Ys Vanished
* Gênero: Action RPG
* Geração: 8-bit (original)
* Console: PC/Master System/NES/Turbografix-16
* Ano: 1987
* Desenvolvedor: Nihon Falcom
+ Remakes para PC-Engine, Sega Saturn, DS, PC e PSP em conjunto com Ys II (Ys I & II, Ys I & II Eternal, Ys I & II Complete, Ys I & II Chronicles) com gráficos melhorados, imagens, vídeos e pequenas adições de diálogo e personagens.



Contexto

Essa face se tornará familiar ao longo da série
A Nihon Falcom é a empresa pioneira de RPGs no Japão. Sua série Dragon Slayer já era um grande sucesso nos computadores bem antes que a Enix e a Square finalmente lançassem os primeiros jogos de suas séries principais para o NES. Em 1987, a empresa decidiu lançar mais uma série de RPGs, centrada nas aventuras do personagem principal Adol, chamada Ys. Esta série viria a se tornar a série mais conhecida de RPGs da Nihon Falcom no ocidente, que já contabiliza 7 títulos oficiais, alguns spin-offs e vários remakes dos jogos antigos.

O grande diferencial da série em relação aos seus contemporâneos é que, ao contrário do estilo de combate por turnos, a série Ys sempre adotou um estilo diferente de combates diferente, caindo no estilo action-RPG. E com o primeiro jogo da série, não foi diferente. Isso pode causar um pouco de estranheza para quem está acostumado com o estilo tradicional de combate, mas a marca do primeiro jogo da série é a simplicidade e o sistema de combates, em sua simplicidade, acaba sendo interessante e algo original para a época.

O que é legal em Ys - Ancient Ys Vanished

Ela é mais que só um rostinho bonito.

Ys é um RPG feito com a simplicidade em mente: O jogo não é tão longo quanto os RPGs de sua época, possuindo poucas cidades e missões mais diretas. Mas nem por isso, deixa de ter qualidade, pois a história é bem interessante e consegue convencer o jogador a comprar a missão do protagonista, sem exageros, sem abusar dos clichés, e sem muito da gordura que os outros RPGs costumam ter apenas para tornar o jogo o mais longo possível. E uma característica marcante do jogo é que ele já foi feito pensando em uma continuação, então alguns mistérios do jogo só serão resolvidos no próximo jogo da série.

Você assume o papel de Adol, um guerreiro ruivo que desembarca na cidade de Minea. Lá, ele é convocado pela vidente Sara, que aguarda um guerreiro que possa combater a ameaça do mal que está prestes a se instalar no continente. Além disso, items e armas feitas de prata estão desaparecendo misteriosamente, seja sendo compradas ou sendo roubadas por uma figura misteriosa. Após se armar apropriadamente, Adol embarca sozinho em uma jornada cheia de mistérios, na qual fica sabendo que é necessário recuperar os seis livros de Ys, que contém a chave para derrotar essa ameaça maléfica.


É necessário agilidade pra sentar o
cacete nesse mané.
O mundo do jogo não é muito grande e complexo, no entanto o jogo provê um bom desafio, através de labirintos complexos, cheios de monstros, muitas vezes bastante poderosos. O jogo só não se torna mais difícil pois o herói recupera automaticamente os pontos de vida perdidos com o tempo. Aliás, as batalhas são um capítulo a parte em Ys: ao invés do sistema de batalhas em turno e encontros aleatórios, o mapa possui diversos inimigos espalhados e o ataque é feito indo de encontro ao inimigo que se deve atacar, e o dano é calculado automaticamente. Existem, no entanto, formas de atacar o inimigo que causam mais ou menos dano em você, dependendo do ângulo de ataque. De certa forma, esse estilo acaba sendo interessante, pois torna o jogo muito mais ágil e evita aquelas sessões maçantes de "grinding" que a maioria dos RPGs da época exigiam.

Porque vale a pena conferir Ys - Ancient Ys Vanished


Epa! Esse Adol é um fanfarrão!

Ys serve muito bem como uma porta de entrada ao mundo do RPG, por não ser um jogo longo e nem apresentar o sistema de combate em turnos, que é uma grande crítica de muitas pessoas que não gostam de RPG, por reduzir a maior parte da experiência de jogo a simplesmente apertar um botão repetidamente e aguardar o que acontece. Além disso, sua história não é extensa, mas foge bastante dos clichés, com alguns acontecimentos surpreendentes e vários mistérios que são deixados no ar e só serão resolvidos na continuação do jogo, YS II - Ancient Ys Vanished The Final Chapter, onde finalmente Adol embarcará em uma jornada para Ys. Além disso, os remakes do jogo oferecem imagens belas, vídeos bonitos e um reforço no dialogo que enriquece o conteúdo do jogo sem comprometê-lo. E as músicas, que sempre foram um ponto forte dos jogos da Falcom, nos remakes são belíssimas.
  

Curto não significa fácil. É tanta bola de fogo
que parece até jogo de nave shoot-em-up.
Além de também ser a porta de entrada para uma série bem legal de RPGs e injustamente ignorada no ocidente, a simplicidade do jogo é parte de sua beleza e em muitos casos o jogador acaba concluindo que as poucas horas gastas para desvendar os mistérios do mundo de Ys são melhor aproveitadas do que as dezenas de horas perdidas em outros rpgs em batalhas maçantes e longas, labirintos gigantescos e sem propósito, missões paralelas sem razão outra do que fingir que enriquecem a experiência de jogo. E a prova que um RPG nem sempre precisa ser gigantesco e pretensioso para ser interessante, desafiador e gostoso de jogar.  






quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Phantasy Star III






 Informação

Phantasy Star III
* Gênero: JRPG
* Geração: 16-bit (original)
* Console: Mega Drive/Genesis
* Ano: 1990
* Desenvolvedor: Sega





Contexto


Logo após o sucesso de Phantasy Star II no Japão, que causou uma pequena febre no país com a personagem carismática Nei, a Sega já iniciou o desenvolvimento da continuação, tentando capitalizar em cima do sucesso do antecessor. Tanto é que para Phantasy Star III, poucos membros do time de Phantasy Star II foram utilizados, pois a companhia japonesa tinha pressa, então aproveitou um time que seria reunido para desenvolver outro jogo e deu-lhes a tarefa de desenvolver Phantasy Star III. Todavia, ao contrário do que algumas pessoas dizem, a mudança de ambiente de Phantasy Star III não porque a Sega pegou um jogo qualquer que estava quase pronto e mudou o nome para Phantasy Star III, pois a própria equipe responsável por Phantasy Star II admite que o roteiro de PSIII começou a ser escrito durante o desenvolvimento de PSII e que o produto final segue a idéia do roteiro.


Por ela, eu também começaria uma guerra.
No entanto, a pressa da Sega era tão grande que eles acabaram obrigando o time de desenvolvimento a lançar o jogo ainda não completamente terminado. Provavelmente querendo competir com a Square, que lançou Final Fantasy III uma semana depois de Phantasy Star III, a Sega errou a estratégia ao querer competir com um jogo de geração diferente e lançando um jogo visivelmente inacabado, quando o mais lógico seria aproveitar dos recursos técnicos superiores do Mega Drive em relação ao concorrente NES e esperar para lançar um jogo bem caprichado e matador. A proposta de Phantasy Star III era extremamente original para a época, mas faltou inteligência à Sega, que adotou o slogan "The King of RPG" e achou que isso bastaria. E, infelizmente, bastaria para a Sega polir o Phantasy Star III para provar que ela era realmente a rainha dos JRPGs, mas da forma que PSIII foi lançado, acabou desagradando parte dos fãs, que perceberam que coisas faltavam no jogo e isso praticamente selou o destino da série. 

O que é legal em Phantasy Star III

Phantasy Star III é um jogo ousado para a sua época. Ele foi criado com uma idéia bastante diferente em mente: proporcionar caminhos diferentes de jogo baseado em escolhas do jogador. Em uma época em que os JRPGs para console eram quase completamente lineares, a idéia de possuir caminhos diferentes era simplesmente revolucionária.

Queria eu ter essa sorte...
No jogo, após uma explicação da guerra lendária entre dois povos comandados por Orakio e Laya, você assume o papel de Rhys, um príncipe orakiano prestes a se casar com Maia, uma mulher misteriosa, com amnésia, que foi encontrada por Rhys em uma praia meses atrás. Tudo parece correr bem até que, no meio da cerimônia, Maia é sequestrada por um dragão layano. Desesperado e revoltado, Rhys convoca os exércitos para caçar o dragão, mas acaba sendo preso pelo seu pai, o rei, que julga sua atitude como irresponsável.

Rhys é eventualmente libertado e começa sua busca por sua amada. Durante a sua busca, a verdade sobre o mundo em que eles habitam, sobre os orakianos e layanos vai sendo revelada progressivamente, trazendo contrastes ao mundo aparentemente medieval do início do jogo. E, ao chegar ao fim da sua missão, Rhys tem uma escolha difícil a fazer, pois essa escolha vai definir o rumo da história. Cada opção leva o jogo a ser continuado com outra história, outros personagens e outras localidades, fazendo com que as escolhas do jogador sejam realmente importantes.


Cutscene incrementando a narrativa

Os gráficos do jogo são bastante melhorados em relação ao seu antecessor, com sprites e imagens bem mais bonitas. A narrativa também foi melhorada, com mais cenas de diálogo, um embrião do modelo de cutscenes que seria usado extensivamente em Phantasy Star IV e algumas animações que são um embrião dos FMV que dominaram as gerações mais novas de RPGs. A mecânica de batalhas ficou um pouco mais complexo, com fileiras de inimigos que não podem ser atacados enquanto os inimigos da frente não forem eliminados. O sistema de magias mudou um pouco, com um recurso interessante que permite o jogador redistribuir o poder das magias, deixando-as mais fortes ou mais fracas. A música do jogo também é excelente, com um recurso especial que vai adicionando instrumentos à musica de acordo com o número de personagens que o seu time possui.

Eita! O que é isso?
Infelizmente, devido à estratégia falha da Sega de apressar o jogo, fica evidente que alguns aspectos não puderam ser bem trabalhados. As animações dos ataques dos inimigos são, em geral, bem mais simples e pouco atrativas que as animações dos jogos anteriores da série. Além disso, há vários lugares inexplorados ou vazios nos mapas, sinal claro de que personagens, missões e partes extra da narrativa tiveram que ser sacrificadas em prol de terminar a história principal a tempo de lançar o jogo na data definida pela Sega. Isso, apesar de não arruinar a qualidade do jogo, nos faz lamentar o quão melhor poderia ter sido o jogo se a Sega deixasse a equipe de programadores refinar o jogo.

Porque Phantasy Star III é um dos melhores RPGs de todos os tempos

Não se engane pela aparência, esse não é um RPG medieval
Phantasy Star III é um ótimo RPG, com uma qualidade técnica muito boa para a época, apresentando uma clara evolução em relação ao antecessor, lançado menos de um ano antes. Além disso, existem algumas interações com outros PCs e NPCs mais elaboradas, trazendo mais narrativa para o jogo.
Mas, assim como Phantasy Star II, Phantasy Star III possui uma história bastante original e densa, trazendo novamente conceitos como política, filosofia e ética ao jogador. Ao invés de uma simples batalha do bem contra o mal, o jogador vai descobrindo que esses valores são questionáveis e grandes surpresas aguardam quem se atreve a acompanhar a história até o fim. O drama é inserido na história sem sentimentalismo piegas típico dos JRPGs e todos os fatos inexplicáveis do começo do jogo começam pouco a pouco a serem explicados, de forma bem convincente e inteligente. Além disso, Phantasy Star III leva o tema de "descobrimento do mundo" comum em RPGs, que começam com um herói em uma pequena vila e acabam crescendo a ponto de envolver todo o mundo (ou até mesmo mundos) a um patamar inatingível, conduzido com maestria e sem apelar para segredos místicos de raças perdidas e povos lendários. Quer um começo mais original para um RPG que o dia do casamento do personagem principal?


Conheço você de algum lugar...

Pra melhorar tudo isso, Phantasy Star III apresenta não só 4 finais diferentes, mas sim 4 histórias diferentes, algo que ainda não é comum hoje em dia, com todos os recursos e tecnologia suficientes para fazer o que Phantasy Star III se propôs a fazer com facilidade. PSIII foi um passo grande dado em direção a tornar os RPGs não apenas um jogo que conta uma história, mas um jogo onde o jogador faz a história. E, infelizmente, a estratégia ruim da Sega não permitiu que o jogo fosse lapidado o suficiente, fazendo com que sua recepção por parte do público não tenha sido tão boa, principalmente para os que esperavam uma continuação direta dos eventos de PSII e julgam o jogo tão superficialmente que sequer chegaram a jogar mais de uma hora. Essa recepção mediana ao jogo fez com que as idéias revolucionárias fossem abandonadas (Phantasy Star IV é extremamente convencional e linear) e, por fim, o sucesso de Final Fantasy IV e Lunar: The Silver Star levaram o gênero inteiro dos JRPGs se tornasse sinônimo de Storytelling RPGs.

Porém, aquele que dedica seu tempo a desbravar o mundo de Phantasy Star III vai ser recompensado com uma das melhores histórias de JRPG, conduzida de forma magistral, e ainda vai ter a possibilidade de explorar caminhos alternativos e histórias paralelas, aumentando consideravelmente o valor do jogo. Enquanto a concorrência oferece pequenas sidequests como valor de jogar novamente, Phantasy Star III oferece três histórias excelentes, sendo um representante único em sua categoria.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Final Fantasy VII

 Informação


Final Fantasy VII
* Gênero: Storytelling
* Geração: 32-bit
* Console: Playstation / PC
* Ano: 1997
* Desenvolvedor: Square









Contexto

Final Fantasy VII começou bem antes do que a maioria imagina, pois o seu desenvolvimento já havia começado logo após o lançamento de Final Fantasy VI, em 1994, e seria feito para o Super Nintendo. No entanto, a Square redirecionou parte do time encarregado para ajudar com Chrono Trigger, que viria a se tornar outra obra-prima da empresa, e o projeto foi adiado. Quando a idéia foi retomada, a quinta geração de consoles já estava eclipsando a quarta geração, então o projeto foi movido para os consoles de quinta geração, que permitiriam gráficos em 3D e vídeos de melhor qualidade.

Imagens espetaculares para os fãs da série acostumados com
animações de sprites.
E foi aí que começou uma das rupturas mais marcantes entre empresa desenvolvedora de jogos e empresa de consoles. A Square possuia um contrato de exclusividade com a Nintendo, mas durante os testes com engines 3D, ela percebeu que um RPG em 3D demandaria muito espaço, e o console de quinta geração da Nintendo, o Nintendo 64 decidiu utilizar cartuchos de memória ao invés de CDs como mídia de armazenamento, ao contrário da concorrência, e isso tornou impraticável o desenvolvimento de um jogo nos moldes que a Square almejava. Então, ela rompeu com a Nintendo e anunciou o próximo título de sua série mais celebrada para o Playstation da Sony.

E não pode se dizer que a escolha não tenha sido acertada. O Playstation ganhou de longe a disputa da quinta geração, vendendo mais de 100 milhões de consoles. E Final Fantasy VII foi um grande catalista para isso, ajudando a vender o console para uma audiência que ainda relutava em fazer a mudança para a quinta geração em meados de 1997. Vendendo a incrível marca de 10 milhões de cópias, Final Fantasy VII foi um sucesso absoluto de público e crítica, aliando gráficos excelentes para a época, uma história deveras intrigante e envolvente e um mecanismo de jogo muito interessante, fazendo-o merecer todas as menções que ele recebe nas listas de melhores jogos de todos os tempos, onde não-raramente frequenta a primeira posição.

O que é legal em Final Fantasy VII

A primeira coisa que provavelmente impressionou o jogador de Final Fantasy VII na época foi a abertura, totalmente em vídeo de animação em 3D. E não só por causa de ser um vídeo em 3D, com os quais os fãs da série não estavam acostumados, mas por causa do tom épico que o vídeo dá ao jogo, apresentando um pouco do mundo em que o jogo se passa de forma magistral, fazendo com que o jogador tenha uma imersão imediata no mundo mágico de Final Fantasy VII.


Cenário futurista rompe com o
tradicional ambiente medieval

A história começa na cidade futurística e decrépita de Midgar. Saindo de um trem, o jogador assume o papel de Cloud, um jovem ex-soldado que largou a vida militar para se unir a um grupo terrorista, liderado por Barrett, que planeja destruir um reator de energia Mako que, apesar de prover energia para o conforto das pessoas, está contribuindo para a destruição do planeta. No entanto, os motivos de Cloud são obscuros, e o seu comportamento bem estranho. E, a medida que a história se desenrola, novos aspectos sobre o mundo, as relações sociais, a história, a política e a mitologia do planeta vai sendo revelada, sempre de forma bastante instigante, com a entrada de novos personagens, todos eles bem desenvolvidos e interessantes. Há momentos dramáticos, cômicos e divertidos, equilibrando bem a narrativa durante todo o jogo.

Agora o bicho pega.
Além da história principal, o jogo possui diversos mini-games dentro dele e missões opcionais, que servem para fornecer novos items ou desenvolver partes adicionais da história. Esses elementos adicionais são bem dosados, de forma que não comprometem a história para o jogador que não tem vontade ou tempo para fazer as missões adicionais, mas enriquecem bastante a experiência de quem se dedicar a explorar os segredos do jogo, além de apresentar desafios a mais para o jogador que gosta de batalhas épicas.




Por que Final Fantasy VII é um divisor de águas na história dos RPGs

Final Fantasy VII foi um projeto ambicioso da Square que rendeu frutos inigualáveis para a empresa e mudou de vez a cara do gênero. Antes de Final Fantasy VII, JRPGs costumavam ser um sucesso apenas no Japão, sendo um gênero de nicho no ocidente. FFVII finalmente quebrou a barreira entre o ocidente e o oriente, sendo um enorme sucesso no ocidente. Ele é constantemente citado pelos jogadores como a porta de entrada para este gênero de jogos.


A beleza das imagens contribui
muito para a experiência de FFVII 

Além disso, os investimentos da Square com animações por computação gráfica viraram padrão para os RPGs que vieram a seguir. A própria Square, que até FFVI investia pouco em visuais, animações e imagens, tornou-se uma líder em animação por computação gráfica, aventurando-se inclusive na indústria do cinema (com resultados negativos), e hoje angaria várias críticas por investir mais em visuais que em jogabilidade ou enredo de seus RPGs. No próprio FFVII há, as vezes, um excesso de animações, principalmente em certas magias/summons utilizados constantemente, fazendo com que batalhas durem muito mais do que o desejado pelo jogador não pelo seu desafio, mas por causa da repetição desnecessária de vídeos belos, mas cansativos.

Mas, apesar da qualidade técnica impecável, Final Fantasy VII não se destaca apenas pelo visual: o jogo possui um mecanismo interessante de customização de personagens através de materias, items que podem ser alocados nos equipamentos dos personagens, conferindo-os habilidades especiais, magias e bônus, dando mais liberdade ao jogador em escolher os personagens que deseja utilizar durante o jogo.

Início de uma jornada épica.
E, principalmente, Final Fantasy VII apresenta uma história envolvente, complexa, com temas muito atuais que remetem o jogador à reflexão. Apesar de toda a ambientação fantástica, o jogo lida com temas atuais como terrorismo, exploração de pessoas e do planeta, grandes corporações e o eterno conflito entre o bem e o mal de forma original. Em FFVII, ao contrário dos jogos anteriores da série, o conflito não é do grande vilão contra o grande herói. Ao invés de preto e branco, todos os personagens estão em diferentes matizes de cinza, mais claras ou mais escuras, mas não sem seus defeitos, suas qualidades e até os vilões possuem alguma lógica em seu raciocínio.

Certas cenas são estrategicamente colocadas
para um ar mais "cool" ao jogo.
Além disso, o ritmo de evolução da história é perfeito no primeiro CD dos três que compõe o jogo original, apresentando novos acontecimentos e desdobramentos de forma frenética, culminando com uma das cenas mais impactantes da história dos RPGs no fim deste CD. Depois, o jogo perde um pouco o fôlego e há o drama se torna um pouco excessivo, mas a história continua intrigante até o final. Todos os PCs e vários dos NPCs possuem uma história bem desenvolvida, fazendo com que o jogador consiga simpatizar facilmente com todos eles. Não foi a toa que esse RPG foi tão simbólico e marcante para toda uma geração.

O legado de Final Fantasy VII pode ser visto em todas as suas continuações, spin-offs, e merchandisg relacionado, inclusive em outras mídias como livros e até um longa metragem, Final Fantasy VII - Advent Children, que se passa anos após a história do jogo. Todos esses itens tentam capitalizar no sucesso do jogo original. Infelizmente, muitas das continuações, spin-offs e itens relacionados são puro caça-níquel, de baixa qualidade. O legado também está presente em outros jogos da série, nos quais os personagens e elementos de FFVII aparecem de alguma forma, seja pessoalmente, seja como uma influência clara nos elementos dos outros jogos.

E esse legado é inegável principalmente por ser o remake mais pedido e aguardado da história, com petições que alcançam centenas de milhares de signatários. Isso é uma prova de que o jogo possui um lugar especial guardado nos corações de todos esses fãs, que adorariam ter a oportunidade de reviver toda a mágica do mundo de Final Fantasy VII mais uma vez.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ancient Domains of Mystery

Informação

Ancient Domains of Mystery
* Gênero: Roguelike
* Geração: DOS
* Console: PC e Mac
* Ano: 1994 - 2002 (primeiro release final estável)
* Desenvolvedor: Thomas Biskup










Contexto

Aqui, o jogo literalmente pega fogo.
Em 1994, o desenvolvedor de jogos Thomas Biskup começou a fazer sua própria versão de um jogo do estilo Roguelike, cujos representantes mais famosos são Rogue (que deu nome ao gênero) e NetHack. Sozinho, ele adotou o estilo característico desse tipo de jogo, com gráficos em ASCII, farta exploração de cavernas, aleatoreidade de mapas, combates, geração de itens e lojas, e, o principal desafio desses jogos que é o chamado permadeath, ou seja, apesar de permitir que o jogo seja salvo, toda vez que você carrega o jogo, o save é apagado, não permitindo que o jogador refaça decisões ou retome o jogo a partir de um ponto caso o personagem morra.

O desenvolvimento levou quase oito anos até que a primeira versão estável do jogo fosse completada, mas a espera valeu a pena. E, em um caso raro de sucesso de um desenvolvedor sozinho trabalhando em um jogo independente, ADOM não só se tornou um grande sucesso entre os jogadores, mas também provou-se ser uma obra-prima do gênero, com uma complexidade ímpar e uma qualidade que supera tudo o que já foi visto dentro do gênero.

O que é legal em Ancient Domains of Mystery


ADOM reune características de um bom Roguelike com um bom RPG. Só para criar o seu personagem, existem milhares de opções. O jogo conta com 10 raças distintas de personagem e mais de 20 classes, cada uma com suas características e habilidades intrínsecas, além de outras customizáveis. Além disso, os personagens também possuem um perfil próprio, determinado através de respostas a algumas questões e um sistema de signos aleatório, que influenciam em mais alguns aspectos o seu personagem. Para completar, a partir da versão 1.1, foi introduzido um sistema de talentos, com centenas de opções para a escolha. Tudo isso significa que, por mais que você tente, você nunca vai jogar com o mesmo personagem duas vezes.

O mapa geral é um dos aspectos que diferenciam ADOM
da maioria dos roguelikes
Além disso, o jogo surpreende desde o início. Ao invés de uma longa caverna, o jogo começa em um mapa, com montanhas, florestas, rios, cidades, cavernas, torres e outras localidades a serem exploradas pelo jogador. As cidades contém inúmeros NPCs, alguns dos quais te fornecem missões especiais, enquanto outros estão apenas para adicionar à narrativa do jogo. Existe um grande número de missões opcionais no jogo, permitindo ao jogador desenvolver o seu personagem da forma que preferir, inclusive matando todo mundo nas cidades.

Sim, isso é possível, e é um dos pontos mais interessantes do jogo. Você pode desenvolver seu alinhamento com o bem ou com o mal da forma que quiser. Há desde missões puras, como salvar o cãozinho perdido de uma garotinha quanto missões criminosas, como matar o xerife da outra cidade. O alinhamento do personagem influencia no seu desenvolvimento no jogo, pois alguns alinhamentos permitem certas missões, enquanto outros não. Também é possível roubar lojas ou amansar inimigos, tornando-os aliados.

As cidades proporcionam uma interação bastante rica
com os NPCs e oportunidade de embarcar em diversas
missões diferentes.
Além disso, há um sistema complexo de items e artefatos, uma gama vastíssima de inimigos com imunidades, vulnerabilidades, status e comportamentos especiais. Os mesmos status se aplicam ao herói, que também pode sentir fome ou saciedade. O jogo também apresenta um sistema de relação com divindades, onde é possível obter favores dos deuses ou ser morto por uma divindade encolerizada. Na parte de customizações, é possível criar dezenas de ítens através de alquimia, habilidades de ferreiro, kits de escrita, de criar flechas, criação de rações de comida e até necromancia.

Mais próximo do fim do jogo, várias surpresas vão aparecendo, como locais e inimigos com características únicas, que te obrigam a agir de forma diferenciada. O jogo é de uma complexidade incrível e de uma dificuldade tremenda, fazendo com que vários jogadores experientes nunca tenham conseguido vencê-lo. Até mesmo os guias de ajuda pouco servem para ajudar um jogador não-experiente a vencer os desafios. E, pra tornar a mistura ainda mais rica, existem vários finais possíveis.

Porque Ancient Domains of Mystery é o melhor Roguelike


Oh, não, morri mais uma vez! O estranho é que nem
estou surpreso com isso.
Simplesmente porque você não vai conseguir parar de jogá-lo. O jogo une o melhor do mundo dos Roguelikes com o melhor do mundo dos RPGs tradicionais, combinando todos os desafios do primeiro com a narrativa e a história do segundo. Mal é possível acreditar que uma pessoa só conseguiu incluir tantos recursos, regras e mecanismos em um jogo. Existe uma área que só é desbloqueada após 100 jogos, mas provavelmente você nem descobrirá essa área antes de jogar (e morrer) 100 vezes.

E, com toda a dificuldade que o jogo apresenta e todos os mistérios da história, ele é viciante, intrigante e muito atrativo. A cada jogada, você vai descobrindo coisas que não sabia, criando estratégias para lidar com situações complicadas e avançando progressivamente. Muitas vezes você vai ficar enraivecido de ter tomado uma atitude pouco cautelosa e jogado um personagem bem desenvolvido no lixo, mas com certeza você vai querer jogar novamente, até conseguir finalmente desvendar todos os segredos e mistérios que o mundo de ADOM guarda para os corajosos desafiantes deste mundo tão rico e complexo.




domingo, 25 de setembro de 2011

Phantasy Star II

Informação

Phantasy Star II
* Gênero: JRPG
* Geração: 16-bit (original)
* Console: Mega Drive/Genesis
* Ano: 1989
* Desenvolvedor: Sega
+ Remake para Playstation 2, com gráficos e áudio melhorados, e mudanças na mecânica e no enredo.







Contexto


Phantasy Star II já começa referenciando seu antecessor
Após o relativo sucesso de público e de crítica de sua primeira incursão no mundo dos RPGs, a Sega planejou imediatamente uma continuação. Planejado originalmente para o Master System, os desenvolvedores tinham em mente uma história ousada e bastante longa para o sucessor de Phantasy Star. Com a iminente chegada do novo console da empresa, contando com um processador rápido de 16 bits para os padrões da época cujo objetivo era acabar com o domínio da Nintendo no Japão e nos Estados Unidos ao oferecer jogos muito melhores tecnologicamente que os do console da concorrente, o projeto foi naturalmente migrado para a nova plataforma, na qual poderia se aproveitar dos recursos de hardware mais avançados. Então, no início de 1989, a Sega lançou o segundo volume de sua franquia principal de RPGs, com o objetivo de fazer o melhor RPG disponível para consoles.

Investindo todas as suas fichas em uma história bastante densa e séria, a Sega atingiu um patamar impressionante de qualidade com o seu novo jogo. Além de ter sido um grande sucesso, Phantasy Star II é frequentemente mencionado nas listas de RPGs mais influentes e até mesmo nas listas de melhores jogos de todos os tempos. E essas citações são totalmente merecidas, pois seus desenvolvedores ousaram experimentar bastante com o gênero que estava apenas em seu início no Japão, chegando a resultados que impressionam mais de 20 anos depois do lançamento oficial do jogo.

O que é legal em Phantasy Star II


Cast de Phantasy Star II, repaginado no remake
Phantasy Star II segue bem a risca a mecânica de jogo de seus contemporâneos, apresentando um estilo de combates baseado em turnos, com algumas inovações em relação ao seu predecessor. Phantasy Star II tenta inovar em alguns aspectos, trazendo oito personagens, alguns dos quais podem ser escolhidos para compor o grupo de, no máximo, quatro. Cada um desses personagens possui características diferentes, fazendo com que a experiência de cada jogador seja diferente, podendo ele optar por utilizar todos os personagens ou só os que julga mais fortes ou mais carismáticos.

Em Phantasy Star II, você está na pele de Rolf (e, acredite, esse é um dos raros jogos em que você certamente não gostaria de estar na pele dele), um agente do governo de Motavia escalado para investigar os recentes problemas ambientais do planeta, que possui sistemas computacionais avançadíssimos cuidando do clima e de toda a produção. O mundo de Phantasy Star II é uma sociedade utópica muito avançada, onde raramente as pessoas trabalham para viver. Esse é um mundo bastante original para um gênero normalmente dominado por uma temática fantástico-medieval. E um aspecto bem bacana de Phantasy Star II é que o jogo é uma continuação do primeiro jogo da série, mas se passando quase mil anos após o jogo original. Sendo assim, ele apresenta um ambiente bem distinto do primeiro, deixando a história correr livremente, e ao mesmo tempo, tenta manter a continuidade.

Você vai ver tantas vezes isoo que vai ter que se segurar
 para não desligar o console e dar uma bica no cartucho.
Um dos aspectos mais marcantes do jogo é o seu grau de dificuldade altíssimo. Os labirintos apresentam um grau de complexidade tão alto que não é raro o jogador ter dificuldades logo no primeiro desafio que o jogo apresenta. O jogo é considerado tão difícil que ele já vinha originalmente com um guia para auxiliar aqueles que tivessem muita dificuldade. Muita gente reclama do nível de dificuldade tão alto, mas isso é apenas uma prova de que o Phantasy Star II era um RPG visto como um jogo, que, apesar do foco na narrativa, ainda tinha que ser desafiador. Nos anos seguintes, o foco em contar uma história ficou tão grande que o gênero hoje em dia é bastante criticado pelos que não são fãs por ser apenas uma história disfarçada de jogo. Além disso, em Phantasy Star II, se o jogador planejar bem sua estratégia, vencê-lo não se torna tão difícil, apenas trabalhoso. 

Porque Phantasy Star II é um dos melhores RPGs de todos os tempos


Indiscutivelmente, a face da
série Phantasy Star.
Phantasy Star II é um ótimo RPG, com uma qualidade técnica muito boa para a época, aproveitando-se do hardware moderno do Mega Drive. Foram-se os labirintos em primeira pessoa do primeiro jogo da série, mas vieram labirintos em terceira pessoa com maior resolução gráfica e múltiplas camadas. Os retratos dos personagens são bonitos e mais detalhados e o jogo já começa a timidamente experimentar com o conceito de sucessão de cenas estáticas e pequenas animações para contar a história; conceito que levou aos RPGs e mesmo jogos de outros gêneros atuais a conter horas de filmes contando histórias. O desenvolvimento dos personagens também já estava planejado, mas devido a limitações técnicas, acabou sendo deixado para uma série de aventuras de texto oferecida pela rede Meganet.

Um dos momentos mais dramáticos
da história dos RPGs
Mas o melhor de tudo mesmo de Phantasy Star II é que ele é um RPG com uma história extremamente séria. Ele trouxe política, meio ambiente, filosofia, ética e outras questões importantes para o mundo do videogame, considerado um lugar de entretenimento e fantasia. Os temas abordados por Phantasy Star II são bastante profundos e complexos, levando o jogador a pensar mais sobre a história que lhe é apresentada. E tudo isso sem recorrer ao sentimentalismo piegas. Pelo contrário, os desenvolvimentos fogem ao padrão esperado de uma história de heróis e vilões e os momentos chave da história são apresentados de forma brutal e até insensível. Passariam-se ainda alguns anos até que os enredos mais sérios se tornassem regra entre os JRPGs, mas a marca de Phantasy Star foi tão profunda que hoje os RPGs com temas pouco densos são severamente criticados tanto pela crítica quanto pelo público, e alguns RPGs tentam tornar a história tão densa e complexa que pecam pelo exagero, resultando em enredos de difícil compreensão e de baixo valor, ao abusar do sentimentalismo piegas. 

Enfim, se Dragon Quest pode ser consderado o pai de todos os JRPGs, Phantasy Star II pode ser considerado o pai de todos os JRPGs modernos, lançando as bases para as histórias envolventes que tomaram o gênero RPG, e principalmente o subgênero Storytelling RPG. É impossível não se envolver com a história e não se surpreender com os desfechos dos acontecimentos principais desse jogo que marcou época e que certamente é um dos maiores merecedores de sua inclusão em listas dos melhores jogos de todos os tempos. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Final Fantasy V

Informação

Final Fantasy V
* Gênero: Storytelling RPG
* Geração: 16-bit (original)
* Console: SNES
* Ano: 1992
* Desenvolvedor: Square Soft
+ Remake para Playstation e Game Boy Advance, com gráficos e áudio melhorados.











Contexto

Seguindo o sucesso de Final Fantasy IV, a Square não perdeu tempo e já iniciou o desenvolvimento de um novo título da série, tentando pegar carona no sucesso do predecessor. No entanto, a Square não quis fazer uma cópia do predecessor, investindo mais em "role-play" que o predecessor, trazendo de volta o sistema de profissões customizável, ao contrário das profissões fixas de Final Fantasy IV. Além disso, o tom da história é menos dramático do que em Final Fantasy IV, investindo menos no personagem principal e mais na história dos demais personagens e do mundo em que o jogo se passa.

Agora que eu tô tomando um coro que eu descobri a
importância de não escolher as profissões aleatoriamente...
O fato do jogo não ter sido lançado fora do Japão na época (a primeira versão só saiu em 1999 no ocidente) fez com que o jogo seja esquecido, perdido entre o grande sucesso de público e crítica de Final Fantasy IV e Final Fantasy VI (II e III respectivamente no ocidente). Seu lançamento posterior acabou contribuindo negativamente para a sua reputação, pois, em comparação com as histórias dramáticas a que o público havia se habituado em FFIV, FFVI, FFVII e FFVIII, a história do FFV pareceu muito convencional. Além disso, seus avanços gráficos não impressionaram, pois já eram obsoletos, fazendo com que o jogo ficasse com uma reputação pior do que merecia.



O que é legal em Final Fantasy V

Os bons e velhos cristais estão de volta,
como não poderia deixar de ser.
Final Fantasy V tenta fazer a combinação perfeita entre Storytelling e role-play, e chega bem perto disso. Ao contrário da noção que se fez do jogo, ele possui uma história bem desenvolvida e interessante. Você assume o papel de Bartz, um jovem que passeando com seu chocobo, por acaso se vê perto do local da queda de um meteoro. Curioso, ele decide investigar e acaba por encontrar Lenna, que está a procura de seu pai que também tinha ido investigar o meteoro por causa do vento que anormalmente parou de soprar, e Galuf, um senhor que não lembra direito o que foi fazer na região, mas lembra que também foi investigar o meteoro. A história naturalmente vai se desenrolando e logo se descobre que a origem dos problemas está ligada a quatro cristais, escondidos em templos, para selar o mal de "Void", liderado pelo vilão Exdeath, que havia sido derrotado décadas atrás.

A história vai naturalmente se expandindo, em dois mundos diferentes e diversas localidades, nas quais eventos vão acontecimentos progressivamente. A medida que a história vai se desenrolando, o passado dos heróis, de outros NPCs e do mundo em que eles habitam vai sendo contada, não sem grandes pitadas de drama e muitos revéses por parte dos personagens. O protagonista em si não tem sua história muito desenvolvida, mas as histórias da princesa Lenna, da pirata Faris, do guerreiro Galuf e da garota Krile são bem desenvolvidas e intrigantes. Apesar de ser recheada de estereótipos, é uma história convincente.

O que faz com que Final Fantasy V seja imperdível

Esse menu vai ser aberto 1000 vezes, e mesmo
assim você não vai se cansar de fazer isso.
O grande atrativo do jogo é o sistema de profissões, que são mais de 20 no total. Ao invés de personagens com características definidas, o jogador pode configurar profissões para cada um dos personagens. Esse sistema funciona da seguinte forma: Cada profissão possui uma habilidade intrínseca, além de características que definem suas estatísticas (HP e MP) e qual equipamento pode usar. Além disso, ao vencer batalhas, os personagens ganham pontos de habilidade (AP). Cada profissão possui alguns níveis de experiência e cada vez que o personagem passa de nível, aprende uma habilidade da profissão. O personagem pode escolher, além da habilidade intrínseca de sua profissão, uma outra dentre as que já aprendeu. Com isso, é possível configurar os personagens ao gosto do jogador. Isso torna o jogo deveras interessante, pois, ao contrário da maioria dos RPGs com habilidades fixas, certamente, cada vez que o jogador jogar FFV, desenvolverá seus personagens de maneira diferente, explorando as diferentes combinações de profissões e habilidades.

Normalmente, os Storytelling games sofrem da falta de role-play, mas o Final Fantasy V acertou a mão, combinando bem os dois elementos. Sem contar que o jogo é repleto de side-quests, mistérios, e até chefes secretos, inaugurando tendências que deixariam os jogos da série mais ricos. E pra dar um toque especial, o jogo possui finais diferentes, dependendo do resultado da última batalha, o que contribui mais para tornar cada vez que o mesmo jogador FFV uma experiência nova.

Todo esse conjunto possibilidades de customização e de elementos de role-play fazem o FFV ser um dos poucos Storytelling RPGs com combate baseado em turnos onde o jogador provavelmente vai se divertir bastante durante as batalhas e não vai apenas torcer para chegar rápido no fim das áreas que tem inimigos para ver ou ler o próximo trecho de história. E é um dos raros jogos do gênero onde vale a pena embarcar mais de uma vez na mesma jornada não só pra rever uma história inteligente e cativante novamente, mas para se divertir a beça entre os atos da peça principal.